Conduzimo-nos em direção ao CCBB
Lá chegando, que poética exposição!
Ante os visitantes, excertos de Clarice
Reunidos magnificamente nas paredes.
Incríveis jogos de luz e sombra
Combinados com textos de suas obras
Explodiam ao olhar maravilhado nosso.
L ugar cheio de gavetas como um arquivo
I ntimamente guardava um pouco de sua vida
S ubmetia os visitantes a ler cartas e escritos.
P endiam, em outra sala, livros do teto
E spetacular visão, com TVs apresentando vídeos
C omunicavam seus dramas, seus amores
T ocando os corações, mentes e almas
O ferecendo uma das mais ricas histórias
R etratos da poetiza inesquecível que é Clarice
Giancarlo
quinta-feira, 16 de outubro de 2008
Ode à Exposição da Clarice (no CCBB)
Conduzimo-nos em direção ao CCBB
Lá chegando, que poética exposição!
Ante os visitantes, excertos de Clarice
Reunidos magnificamente nas paredes.
Incríveis jogos de luz e sombra
Combinados com textos de suas obras
Explodiam ao olhar maravilhado nosso.
L ugar cheio de gavetas como um arquivo
I ntimamente guardava um pouco de sua vida
S ubmetia os visitantes a ler cartas e escritos.
P endiam, em outra sala, livros do teto
E spetacular visão, com TVs apresentando vídeos
C omunicavam seus dramas, seus amores
T ocando os corações, mentes e almas
O ferecendo uma das mais ricas histórias
R etratos da poetiza inesquecível que é Clarice
Giancarlo
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
Felicidade clandestina
Um conto de Clarice Lispector para conhecerem um pouco da autora...
Ela era gorda, baixa, sardenta e de cabelos excessivamente crespos, meio arruivados. Tinha um busto enorme, enquanto nós todas ainda éramos achatadas. Como se não bastasse, enchia os dois bolsos da blusa, por cima do busto, com balas. Mas possuía o que qualquer criança devoradora de histórias gostaria de ter: um pai dono de livraria. Pouco aproveitava. E nós menos ainda: até para aniversário, em vez de pelo menos um livrinho barato, ela nos entregava em mãos um cartão-postal da loja do pai. Ainda por cima era de paisagem do Recife mesmo, onde morávamos, com suas pontes mais do que vistas. Atrás escrevia com letra bordadíssima palavras como "data natalícia" e "saudade". Mas que talento tinha para a crueldade. Ela toda era pura vingança, chupando balas com barulho. Como essa menina devia nos odiar, nós que éramos imperdoavelmente bonitinhas, esguias, altinhas, de cabelos livres.
Comigo exerceu com calma ferocidade o seu sadismo. Na minha ânsia de ler, eu nem notava as humilhações a que ela me submetia: continuava a implorar-lhe emprestados os livros que ela não lia. Até que veio para ela o magno dia de começar a exercer sobre mim uma tortura chinesa. Como casualmente, informou-me que possuía As Reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato. Era um livro grosso, meu Deus, era um livro para se ficar vivendo com ele, comendo-o, dormindo-o. E completamente acima de minhas posses. Disse-me que eu passasse pela sua casa no dia seguinte e que ela o emprestaria.
Até o dia seguinte eu me transformei na própria esperança da alegria: eu nao vivia, eu nadava devagar num mar suave, as ondas me levavam e me traziam. No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava num sobrado como eu, e sim numa casa. Não me mandou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia seguinte para buscá-lo. Boquiaberta, saí devagar, mas em breve a esperança de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua a andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas de Recife. Dessa vez nem caí: guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei pulando pelas ruas como sempre e não caí nenhuma vez. Mas não ficou simplesmente nisso. O plano secreto da filha do dono de livraria era tranqüilo e diabólico.
No dia seguinte lá estava eu à porta de sua casa, com um sorriso e o coração batendo. Para ouvir a resposta calma: o livro ainda não estava em seu poder, que eu voltasse no dia seguinte. Mal sabia eu como mais tarde, no decorrer da vida, o drama do "dia seguinte"com ela ia se repetir com meu coração batendo. E assim continuou. Quanto tempo? Não sei. Ela sabia que era tempo indefinido, enquanto o fel não escorresse todo de seu corpo grosso. Eu já começara a adivinhar que ela me escolhera para eu sofrer, às vezes adivinho. Mas, adivinhando mesmo, às vezes aceito: como se quem quer me fazer sofrer esteja precisando danadamente que eu sofra. Quanto tempo? Eu ia diariamente à sua casa, sem faltar um dia sequer. As vezes ela dizia: pois o livro esteve comigo ontem de tarde, mas você só veio de manhã, de modo que o emprestei a outra menina. E eu, que não era dada a olheiras, sentia as olheiras se cavando sob os meus olhos espantados.
Até que um dia, quando eu estava à porta de sua casa, ouvindo humilde e silenciosa a sua recusa, apareceu sua mãe. Ela devia estar estranhando a aparição muda e diária daquela menina à porta de sua casa. Pediu explicações a nós duas. Houve uma confusão silenciosa, entrecortada de palavras pouco elucidativas. A senhora achava cada vez mais estranho o fato de não estar entendendo. Até que essa mãe boa entendeu. Voltou-se para a filha e com enorme surpresa exclamou: mas este livro nunca saiu daqui de casa e você nem quis ler! E o pior para essa mulher não era a descoberta do que acontecia. Devia ser a descoberta horrorizada da filha que tinha. Ela nos espiava em silêncio: a potência de perversidade de sua filha desconhecida e a menina loura em pé à porta, exausta, ao vento das ruas de Recife. Foi então que, finalmente se refazendo, disse firme e calma para a filha: você vai emprestar o livro agora mesmo. E para mim: "E você fica com o livro por quanto tempo quiser." Entendem? Valia mais do que me dar o livro: "pelo tempo que eu quisesse" é tudo o que uma pessoa, grande ou pequena, pode ter a ousadia de querer.
Como contar o que se seguiu? Eu estava estonteada, e assim recebi o livro na mão. Acho que eu não disse nada. Peguei o livro. Não, não saí pulando como sempre. Saí andando bem devagar. Sei que segurava o livro grosso com as duas mãos, comprimindo-o contra o peito. Quanto tempo levei até chegar em casa, também pouco importa. Meu peito estava quente, meu coração pensativo. Chegando em casa, não comecei a ler. Fingia que não o tinha, só para depois ter o susto de o ter. Horas depois abri-o, li algumas linhas maravilhosas, fechei-o de novo, fui passear pela casa, adiei ainda mais indo comer pão com manteiga, fingi que não sabia onde guardara o livro, achava-o, abria-o por alguns instantes. Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade. A felicidade sempre iria ser clandestina para mim. Parece que eu já pressentia. Como demorei! Eu vivia no ar... Havia orgulho e pudor em mim. Eu era uma rainha delicada. As vezes sentava-me na rede, balançando-me com o livro aberto no colo, sem tocá-lo, em êxtase puríssimo. Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com o seu amante.
http://intervox.nce.ufrj.br/~valdenit/felicida.htm Acesso em 7/10
sexta-feira, 10 de outubro de 2008
O olhar e a foto – sobre Clarice Lispector
"Eu escrevo sem esperança de que o que eu escrevo altere qualquer coisa. Não altera em nada... Porque no fundo a gente não está querendo alterar as coisas. A gente está querendo desabrochar de um modo ou de outro..." Clarice Lispector
Nossa entrada no CCBB para ver, ouvir e falar com Clarice Lispector foi triunfal. A recepção permitiu articular o visual da artista pousado numa grande teia de maneira a se chegar e aconchegar a cada um de nós. Chegar é diferente de aconchegar.Chega-se pela primeira vez...Daí em diante, aconchega-se ou não se chega mais. As palavras permitem tal tipo de brincadeira...Mas será mesmo brincadeira ou desbordar da realidade que se percebe com o coração?
Interessante observar: a máquina fotográfica impedida de chegar...Chegamos nós e a máquina, do lado de fora. Fez-me lembrar texto de Saramago quando ele conta que, em sua meninice, queria saber como eram as coisas, quando o olho não as olhava... Curiosidade brava, mesmo! E pensou na máquina fotográfica para ajudá-lo a capturar as coisas, ela sozinha, onde não houvesse ninguém. Mas esqueceu-se de que, onde há uma máquina fotográfica, há um olho humano por trás....E, assim, entramos sem máquina para ver Clarice... Não se podia fotografar nada, no ambiente...Continuei me lembrando do Saramago...Adolescente, ainda, não conhecia muitas coisas da alma humana... Entendi por que deixar a máquina do lado de fora... As meninas não se conformavam. Teimavam em registrar, com a máquina...Continuei pensando no Saramago...Que bela lição! Para que as máquinas? Para registrarmos o belo, o prazeroso, eternizar o momento...Ássim que pensamos. Com a máquina, segurar o efêmero... Um olho humano conduz a máquina...Assim, para que a máquina, se há o olho humano? Ele garantirá os registros com a alma, com a sensibilidade, cheios de nuances... “ As coisas são mais espertas e não se deixam enganar com facilidade..., nos diz Saramago. As coisas sempre arranjam um jeito de se tornarem eternas....Quaisquer coisas? Aquelas que nos tocam a alma... Essas dispensam a máquina... Continua Saramago a nos instigar.. Para onde vão essas coisas, que não se registram na máquina? Com certeza caminham para a memória, guardadas a sete chaves, permanecendo em lugar nenhum e em todos os lugares, quando tocadas por um raio de curiosidade, de paixão e de êxtase, que desencadeia o rememorar em narrativas que, aos borbotões e fúria, permitem a luz reacender e o momento registrado na alma, reviver.
Assim percebi Clarice, em todo o seu esplendor, viva naquele momento e imortal em minha alma.
Sandra La Cava
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
Algumas fotos da Jornada Científica
A jornada foi muito boa. Vejam as fotos! Em breve traremos aqui mais informações sobre os acontecimentos... Aguardem ainda essa semana!
Palestra com a professora Ana Valéria apresentando sua maravilhosa tese de Doutorado recentemente concluída. Fez todos nós pensarmos sobre as representações construídas sobre o ser professor ao longo da história: permanências e mudanças.Muito para se pensar...
Grupo do PIC apresentando... E brilhantemente!!
Grupo do PIC apresentando também!! Capricharam...
O local da apresentação lotado!!
O nosso grupo do PIC depois das apresentações do dia... Cansados mas satisfeitos!!
Palestra com a professora Ana Valéria apresentando sua maravilhosa tese de Doutorado recentemente concluída. Fez todos nós pensarmos sobre as representações construídas sobre o ser professor ao longo da história: permanências e mudanças.Muito para se pensar...
Grupo do PIC apresentando... E brilhantemente!!
Grupo do PIC apresentando também!! Capricharam...
O local da apresentação lotado!!
O nosso grupo do PIC depois das apresentações do dia... Cansados mas satisfeitos!!
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
IV JORNADA DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA
04 DE OUTUBRO DE 2008
CAMPUS NOVA AMÉRICA
O grupo do PIC estará nesse próximo sábado, dia 4/10, apresentando trabalhos sobre a pesquisa na Jornada de Iniciação Científica da Estácio que acontecerá no Campus Nova América. Vejam a chamada acima de divulgação. Em breve, numa próxima postagem, colocaremos fotos e informações.
Narrando lembranças na oficina
Aqui um pouco da oficina de sábado no Palácio de Cristal para terem um gostinho... Um pouco das opiniões de alunos do PIC que viveram essa experiência.
Quero relatar que fiquei emocionadíssimo com a experiência das memórias e narrativas realizada no Palácio de Cristal. Não poderia ter sido melhor! Apesar da chuva, pudemos interagir de forma significativa e percebi claramente como determinados símbolos nos reportam às nossas lembranças de forma particular. Os objetos são interpretados pelos sentidos físicos da mesma forma, mas não no sentido emocional; isso é o que me chamou mais a atenção! Agradeço a oportunidade de participar desse maravilhoso projeto!
Giancarlo
Na semana anterior ao evento, fiquei muito curiosa para saber qual seria o resultado do nosso trabalho. Finalmente já era sábado! O encontro foi maravilhoso, as pessoas interagiram conosco de uma forma tão "gostosa"! Fiquei admirando o rosto daquela gente, ali sentada, enquanto a professora Sandra contava a história do Guilherme Augusto... Foi muito legal ver as "caras e bocas", todas as expressões e a atenção para entender a história. A professora Sandra está certa ao falar que "para ouvir história não tem idade". Pude comprovar esse fato lá no Palacio de Cristal. Ao ouvir os relatos contados pelos participantes acabei me lembrando das minhas histórias e aventuras que vivi quando criança. É importante ressaltar como as narrativas dos outros nos remetem as nossas próprias narrativas, parece que as histórias "se entrelaçam" não perdendo, é claro cada uma a sua individualidade. O evento foi maravilhoso! Aguardo o próximo.
Monique Botelho
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