sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Final de ano - parada para reinicio em 2009

Queridos leitores,
Encerramos esse ano de muito trabalho, estudo e pesquisa desejando que todos tenham tido um Feliz Natal e que tenham um início de 2009 coroado de boas perspectivas...
Em janeiro o BLOG não terá a contribuição dos participantes do PIC devido às férias mas teremos a publicação semanal de um ou dois convidados, profissionais e pesquisadores da área da leitura e formação, que trarão para esse espaço um pouco do seu olhar e da sua história ampliando possibilidades de leitura e trocas futuras.
Aguardamos vocês em 2009 com muitas reflexões e valiosas trocas!
Apareçam!
Equipe do PIC

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Leitura, escrita e "peraltagens" - mensagem do PIC

O Menino Que Carregava Água na Peneira
Manoel de Barros
Tenho um livro sobre águas e meninos.
Gostei mais de um menino que carregava água na peneira.
A mãe disse que carregar água na peneira era o mesmo que roubar um vento e sair correndo com ele para mostrar aos irmãos.
A mãe disse que era o mesmo que catar espinhos na água O mesmo que criar peixes no bolso.
O menino era ligado em despropósitos. Quis montar os alicerces de uma casa sobre orvalhos.
A mãe reparou que o menino gostava mais do vazio do que do cheio. Falava que os vazios são maiores e até infinitos.
Com o tempo aquele menino que era cismado e esquisito porque gostava de carregar água na peneira
Com o tempo descobriu que escrever seria o mesmo que carregar água na peneira.
No escrever o menino viu que era capaz de ser noviça, monge ou mendigo ao mesmo tempo.
O menino aprendeu a usar as palavras. Viu que podia fazer peraltagens com as palavras.
E começou a fazer peraltagens.
Foi capaz de interromper o vôo de um pássaro botando ponto final na frase.
Foi capaz de modificar a tarde botando uma chuva nela.
O menino fazia prodígios. Até fez uma pedra dar flor!
A mãe reparava o menino com ternura.
A mãe falou:
Meu filho você vai ser poeta.
Você vai carregar água na peneira a vida toda.
Você vai encher os vazios com as suas peraltagens e algumas pessoas vão te amar por seus despropósitos.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Combinando os finais das leituras do ano...

Assim como afirma Peter O´Sagae, editor do site Dobras da leitura que aparece em nossa lista de sites recomendados (ao lado):

“Tão certo quanto ler é uma viagem, através dos mundos da ficção ou aventurando-se em diferentes dimensões e frações do conhecimento, ler “também” é combinar textos, em um tear de experiências vividas pelo leitor, dentro e fora dos livros. Desse modo, ler também é um trabalho que demanda ânimo e pode parecer tanto mais leve, ou mesmo forçado para alguns, por causa desse tramar relações, conforme nosso instante e predisposição.

Ler depende, em igual medida, do interesse, do gosto e do hábito de conviver com os textos mais diversos, seja verbal, visual ou sonoro, nos mais diversos suportes disponíveis em nossa sociedade. É bastante comum ouvirmos aqui e acolá alguma idéia a respeito de leitura informativa, leitura funcional, leitura de entretenimento, leitura formativa, leitura literal, ao pé da letra ou mais solta, uma leitura livre, leitura compartilhada e tantos outros nomes e modalidades: cada uma carregando uma concepção do que é o ato da leitura.” (trecho inicial do editorial de Peter O´Sagae no site http://www.dobrasdaleitura.com/ )

Que combinações de textos fizemos esse ano no Projeto? Como podemos encerrar o ano trazendo de alguma forma essa combinação que resulta numa leitura apenas elaborada por nós em nosso convívio de reflexão coletiva?

Estamos encerrando essa semana as atividades do grupo realizadas no ano de 2008 e em breve traremos a nossa produção final desse ano desejando que vocês, leitores que nos acompanham, continuem conosco no ano que vem.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Retratos da leitura - possíveis diálogos...

Esse livro organizado por Galeno será uma das referências para nosso trabalho de análise final das entrevistas da pesquisa.
Estamos encerrando essa semana as reuniões do PIC desse ano e vamos em nossa reunião fechar as possibilidades de análise com base no referencial teórico lido pelo grupo.
No início do ano que vem será disponibilizado o material todo analisado e transformado em artigo.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

O pintor de lembranças - nosso olhar para os eventos

A história lida no grupo do PIC permitiu perceber o quanto lembranças de situações vividas trazem marcas que constituem cada um de nós. Os autores José Antônio del Cañizo e Jesús Gabán apresentam o pintor de lembranças como aquele que pintava o que cada um deseja ter diante dos olhos: as melhores lembranças vividas.
Por que o ser humano não se lembra de tudo o que vive? Simplesmente pelo fato de não dar conta de registrar todas as vivências...Algumas delas não deixam marcas, não tocam profundamente ... São puro escoamento...Desaparecem. Assim, aquelas marcantes, fundantes da memória, precisam ser lembradas. Melhores ou mesmo não tão boas assim...Mas o pintor Gabriel só pintava as melhores lembranças...
E, como o pintor Gabriel, aqui tentamos resgatar lembranças do que o grupo do PIC viveu em dois últimos eventos – uma oficina na UFRRJ e palestra na Semana de Letras do Campus Petrópolis.
Os dois eventos envolveram grupos de alunos que iniciaram, este ano, sua participação em apresentações de cunho acadêmico, integrados a um grupo de pesquisa. E, o que significa para esses alunos participar desses eventos? Não mais como ouvintes, mas agora como apresentadores de conhecimentos construídos pela pesquisa.
Com o intento de que registrassem, como o pintor Gabriel - o pintor de lembranças, aquilo que mais os marcou nas apresentações, foi a eles lançado o desafio de expressar por imagens, a sua escolha, suas lembranças... Que palavras? Que imagens comporiam a tela que retratasse tal experiência?
O resultado? Como qualquer evocação do vivido, sempre irretocável pelo outro . Este, precisa se contentar em assimilá-la para poder enriquecê –la com sua própria experiência. Assim, serão divulgados os registros. Cada grupo mostra o que sentiu, o que marcou, o que ficou na lembrança...
Lembranças de Maria Clara, Priscila e Maira
Lembranças de Gian, Célia e Monique
As imagens falam das experiências dos grupos. O estar perdido nos caminhos da Rural e a ausência/presença da palavra na Semana de Letras... Essas talvez não sejam as melhores, mas com certeza são as mais divertidas lembranças que cada grupo de alunos construiu, a partir de sua participação nos dois eventos (para muitos a primeira participação em eventos científicos).
Adriana Hoffmann e Sandra La Cava

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

I Mostra de Trabalhos integrados-divulgando...

Essa mostra, mesmo não sendo de trabalhos do PIC, merece ser divulgada. Demonstra o esforço que alunos e professores estão fazendo rumo à integração de conteúdos/disciplinas no campus Petrópolis.Processo nada fácil mas que merece ser divulgado e levado adiante, mesmo com todos os desafios que ele traz.
Esse campus é um dos poucos que tem uma proposta como essa com uma equipe de professores que busca essa integração. A Mostra está no finalzinho mas todos os que puderem prestigiar estão convidados!Teremos muito prazer em recebê-los!
Alguns alunos que hoje estão no PIC também viveram esse processo em sua formação o que, para alguns, foi decisivo na participação que hoje têm no PIC podendo compreender de forma mais ampla o processo de pesquisa na construção do conhecimento.
Ciquem na imagem do folder para ver a programação ampliada!

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

PIC PEDAGOGIA na Semana de Letras (UNESA)

Nesse texto relatamos como foi a nossa apresentação na Semana de Letras e um pouco dos sentimentos do grupo que apresentou. Narramos em forma de diálogo, um passando a palavra para o outro como numa roda de conversa. Que vocês, leitores, nos acompanhem nesse bate-papo...

A ausência do Blog naquele dia nos deixou sem palavras. Estávamos participando da Jornada de Letras eu, Monique e Gian, com a certeza de que o protagonista maior daquela apresentação seria o Blog. Deveríamos demonstrar todo aquele universo virtual onde inúmeras experiências com a narrativa estavam presentes. No entanto, teimamos em esquecer, sempre, que a tecnologia nos deixa a deriva e nesse caso levando as nossas palavras.

Não tínhamos saída, estavam todos ali na platéia observando, e aguardando pelo início daquela palestra da qual o protagonista tinha “dado no pé”. Acuados diante de tal situação, saímos à captura desesperada por palavras que pudessem suprir a ausência do Blog. Mas nesse ponto passo a palavra para Gian que narrará a sua bem sucedida captura.

Costumo estar preparado para eventuais contratempos. Como estou acostumado a dar palestras e cursos, já me aconteceu de faltar material ou recursos na hora “H”, e precisar adaptar-me ao momento. Foi o que ocorreu no dia da apresentação da palestra sobre o BLOG (e na falta dele). Foi preciso encarar o público e dar o recado, não havia outra maneira.

Uma experiência, por mais desafiante que seja, sempre é um grande aprendizado. Não encarei as condições como um problema, mas como oportunidade de improviso. Eu acho que, tanto a Monique, quanto a Célia deram bem o seu recado. Se faltou algo, acabamos “perdoados”, porque um evento numa faculdade sempre é algo corrido e exige grande “jogo de cintura”.

Minha impressão é que, de forma geral, o público gostou. O assunto é uma novidade, então a curiosidade foi superior à crítica. Notei que todos olhavam interessados. Pela falta da ferramenta “técnica”, ficou uma lacuna, mas não um “abismo”. Além do que, tivemos a oportunidade de passar nosso endereço na rede para todos conhecerem nosso trabalho.

A minha maior dificuldade foi perceber uma certa insegurança causada pela surpresa desagradável da ausência da internet e não conseguir acalmar as colegas como gostaria. Mas, é assim mesmo.

Discursamos sobre o que é o projeto, do que se trata o BLOG, como ele entrou como recurso e que foco demos ao trabalho. Importante ressaltar que a abordagem foi em cima de “Memórias e Narrativas”.

No final tudo deu certo. A minha colega Monique tem algo a dizer sobre sua intensa experiência nesta apresentação.

Gian, você de fato teve um excelente jogo de cintura. Já eu fiquei muito ansiosa quase não consegui me expressar. Não foi só o protagonista que “deu no pé”, as minhas palavras tambéééééém!!!!!

É incrível como as emoções interferem na razão, o mesmo tipo de apresentação já havia acontecido na Jornada Científica e nos saímos muito bem, já na Jornada de Letras a falta da nossa principal ferramenta causou-me grande desequilíbrio. Mas, como nada acontece em vão, os desequilíbrios servem para que possamos crescer. Dessa forma a falta das palavras pode ser compensada com uma vista no BLOG já que os expectadores ficaram tão curiosos, como narrou o Gian. Caro amigo Gian, contamos com você para fazer a propaganda em sua turma.

Célia, Giancarlo e Monique

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

UFRRJ: A Aventura Continua

Eh galera, enfim iniciamos nossa palestra na Rural!
Esse foi o momento em que nossas queridas professoras A Fotógrafa e A Conhecida contaram a famosa história de Guilherme Augusto Araújo Fernandes.
A Conhecida, como sempre, no auge de sua emoção despertou a curiosidade dos participantes sobre a sua "caixinha" de surpresas. Mas fala sério, galera! Isso é um baú e não uma caixinha.
A Fotógrafa não conteve sua curiosidade pueril e abriu repentinamente o baú e...

... despertou a fúria da galera que rapidamente se desprendeu das cadeiras e correu de encontro ao misterioso baú.

Ali encontraram diversos brinquedos que foram escolhidos por identificação, os quais os permitiram reviver suas lembranças.

Foi aí que pudemos conhecer um pouco das histórias de vida desse povo de Nova Iguaçu. Foi um momento único e mágico!

Terminamos nossa palestra com uma dinâmica das bolas coloridas. Foi um escândalo ter que estourar as bolas, mas no final das contas deu tudo certo.

Para encerrar nossa visita a Rural, tomamos um cafezinho com a querida e simpática Gabriela cravo e canela. Aliás, cafezinho com cravo e canela dá um toque todo ESPECIAL.

Então é isso aí, galera! Até a próxima!

Maira, Maria Clara e Priscila

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Palavras ao vento - Cassia Eller

Refletindo sobre as palavras... Da sua presença ou da sua falta... Ou de tudo o que representam... Todos os textos nos fazem pensar...

Sobre as palavras- Sergio Fonseca

Andei perdendo palavras por aí. Talvez por falar em excesso elas me faltem agora. As que saíram aos gritos duvido que voltem. Escaparam e deixaram vítimas durante a fuga. Uma pena. Mas em esforço de guerra dizem que perdas são justificáveis. Nunca acreditei muito nisso.
Andei perdendo palavras por aí. Talvez por ficar em silêncio elas me sobrem agora. E por serem excesso ocuparam o espaço antes reservado ao agrupamento ordenado delas. O crescimento desordenado de palavras é mais perigoso. Jamais pensei na possibilidade de um motim de palavras.
Andei perdendo palavras por aí. Das soltas e guardadas. Algumas entraram por um ouvido e saíram pelo outro. Outras entupiram narinas e muitas desceram pelos olhos. Ainda ontem me olhei no espelho e vi que engordei. Ando comendo palavras saturadas. Um perigo. Preciso perder peso, perder palavras para reencontrá-las.
http://www.releituras.com/ne_sfonseca_palavras.asp Acesso em novembro de 2008

A palavra - Carlos Drummond

Dica: cliquem na imagem para poderem ler o poema com a caligrafia de Drummond. Algo especial... Para saborearem junto conosco...
http://abaixodezero.blogspot.com/2007/05/palavra-de-carlos-drummond-de-andrade.html Acesso em novembro de 2008

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

A ENTREVISTA NA PESQUISA – REFLEXÕES SOBRE O SEU USO

Enquanto não relatamos a experiência dos últimos eventos vividos na UFRRJ e na Semana de Letras trazemos um pouco da discussão metodológica da pesquisa em processo de realização.
Neste texto apresentamos a escolha metodológica feita pelo nosso grupo de pesquisa. A partir de discussões e do conhecimento a respeito de tipos de pesquisa que já foram apresentados ao grupo (grande parte de seus componentes está finalizando sua graduação e somente um participante se encontra nos períodos iniciais) entendemos que a escolha pela pesquisa qualitativa seria a mais adequada tendo em vista os objetivos a serem alcançados.
Escolher tal tipo de pesquisa partiu da premissa de se considerar os fenômenos sociais pertencentes a um nível da realidade que não pode ser quantificado. A compreensão dos processos de leitura só é possível em função do entendimento das interrelações que emergem de um determinado contexto. Por se tratar de uma pesquisa que envolve processos sociais transcende ao nível descritivo possibilitando um maior aprofundamento nas questões que são propostas pelo estudo.
Como a pesquisa qualitativa não se baseia na quantidade de indivíduos pesquisados, mas sim na representatividade que o universo pesquisado pode explicitar, optou-se por trabalhar com um mesmo número de entrevistados em cada Curso de Graduação envolvido. A partir daí, efetivou-se a aplicação de entrevista semi-estruturada para, em seguida, ser realizada a análise, tendo em vista as questões da pesquisa. Tais questões foram identificadas como categorias de análise, ou seja, como parâmetros que orientarão nosso olhar para as entrevistas feitas.
As entrevistas estão sendo realizadas junto a alunos dos cursos de Comunicação, Letras e Pedagogia. Para sua realização foi elaborado com o grupo do PIC um roteiro de questões referentes às buscas e questionamentos da pesquisa. Tais questões remetem aos objetivos pretendidos pela pesquisa já apontados anteriormente procurando organizar nosso olhar a partir de quatro eixos.
Os eixos que conduziram a entrevista dizem respeito: ao conceito de leitura que o entrevistado possuí; às leituras e narrativas vividas; à questão do tempo e espaço na sua relação com sua vivência de leitura e também aos suportes narrativos e de leitura utilizados pelo entrevistado.
Ao fim da entrevista e sua análise, em processo no momento, faremos considerações finais sobre a investigação. Esperamos que essa breve pesquisa possa ter contribuído para a ampliação do conhecimento do processo de leitura e narrativa dentro da universidade.
Célia Ribeiro

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Mais da Semana de Letras da Estácio

Restante da programação
05/11 – 9h30min Oficina: Atualização acadêmica e cultural do Curso de Letras Profa. Ms. Tatiana Vieira Barcelos (Universidade Estácio de Sá) Local: Auditório
05/11 – 19h Palestra + Debate: Machado de Assis e a religião Palestrante: Profa. Ms. Maria Eli Ribeiro (Universidade Estácio de Sá) Local: Auditório
05/11 – 20h30min Palestras + Debate: Danças Urbanas Palestrante: David M. da Silva Jr. (Graduando em Letras / Universidade Estácio de Sá) e apresentação do grupo “Top Street Dance” Local: Auditório
06/11 – 8h Oficina: Bossa Nova Profª.Heloisa Abad Local: Auditório
06/11 – 9h Oficina: Gregório de Matos e o cinema 10h – Apresentação das pesquisas discentes do Curso de Letras e Sarau Lírico Palestrante: Prof. Ms. Bibiano Gomes (Universidade Estácio de Sá) Local: Auditório
06/11 – 19h Palestra + debate: A arte de ver: palavras ligadas ao olhar e domínios conexos Prof. Dr. Deonísio da Silva (Vice-Reitor de Cultura e Coordenador Geral do Curso de Letras / Universidade Estácio de Sá) Local: Auditório
06/11 – 21h Oficina: Introdução à neurociência da linguagem Palestrante: Profa. Doutoranda Edna Inácio da Silva e Silva (Universidade Estácio de Sá) Local: Auditório
07/11 – 8h Oficina: Machado e o Cinema 9h – Palestra + debate: A prospectiva da obra de Machado de Assis Profa. Dra. Nadia Barbosa (Universidade Estácio de Sá) 10h30min - Palestra + debate: O projeto “Casa Stefan Zweig” em Petrópolis Prof: Dr. Johannes Kretschmer (Universidade Estácio de Sá / Universidade do Estado do Rio de Janeiro) Local: Auditório
07/11 – 19h Poesia e Música Palestras, leituras e lançamentos de livro + debate Prof. Dr. João Batista Vargens (Universidade Estácio de Sá / Universidade Federal do Rio de Janeiro) Prof. Dr. Roberto Bozzetti (Universidade Estácio de Sá) Local: Auditório
08/11 – 10h Oficina: O romance realista do séc.XIX Prof. Roberto Bozetti Sala: 108 Local: Auditório
08/11 – 12h Palestra + Debate: O Brasil e a Alemanha: relações literárias Palestrante: Profa. Rafaela Mathias (Graduanda em Letras / Universidade do Estado do Rio de Janeiro) Local: Auditório
08/11 – 13h Encerramento
21/11 – 19h Palestra + debate: Walter Scott e a literatura brasileira Palestrante: Profa. Dra. Ana Lúcia de Souza Henriques (Universidade Estácio de Sá / Universidade do Estado do Rio de Janeiro) Palestra + debate: A nova ortografia Palestrante: Prof. Dr. Claudio Cezar Henriques (Universidade Estácio de Sá / Universidade do Estado do Rio de Janeiro)

Grupo do PIC na VII Semana de Letras do Campus Petrópolis

Programação
03/11 – 11h Oficina: Poesia de Língua Portuguesa Profª. Patricia Camargo Local: Auditório
03/11 – 19h15min
Mesa Redonda + Debate: O papel do intelectual nos países africanos de língua portuguesa Palestrantes: Amanda Santos (Graduada em Letras / Universidade Estácio de Sá), André Sampaio (Mestrando / Universidade Federal Fluminense), Patrícia Camargo (Mestranda / Universidade Federal Fluminense) e Rosimere Correia Laranja (Pós-graduanda em Literaturas de Língua Portuguesa / Universidade Estácio de Sá Local: Auditório
03/11 – 21h Palestra + Debate: A música na época da Família Real do Brasil Palestrante: Maestro Carlos Fecher (Mestre em Música/UFRJ) Local: Auditório
04/11 – 9h Palestra + Debate: Danças Urbanas Palestrante: David M. da Silva Jr. (Graduando em Letras / Universidade Estácio de Sá) e apresentação do grupo “Top Street Dance Local: Auditório
04/11 – 10h Leitura e Formação: Apresentação + Debate das pesquisas Científica do Curso de Pedagogia Palestrantes: grupo coordenado pelas professoras Dra. Sandra La Cava e Profa. Dra. Adriana Hoffmann Fernandes Local: Auditório
04/11 – 19h Palestra + Debate: Machado de Assis: o narrador e o tempo – a consciência do caráter verbal da criação literária Palestrantes: Paula Machado (Mestre em Literatura Brasileira / Universidade Federal Fluminense) Local: Auditório
04/11 – 20h Apresentações de alunos do Curso de Letras da Universidade Estácio de Sá Local: Auditório

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Uhuuuu, Nova Iguaçu!

Nunca foi tão aventureiro sair de Petrópolis, com o objetivo de compartilhar experiências científicas, quanto ir a Nova Iguaçu para participar e prestigiar a Semana Paulo Freire na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Aqui, contarei a todos – até mesmo a nossas queridas professoras – o que rolou nos bastidores. Divirtam-se!
A NOTÍCIA. . .
Notícia do fim da manhã: o carro da Rural não vem nos buscar. Para completar, somente pagarão as despesas de um carro. E agora? Teremos que deixar os únicos dois companheiros que iriam, dos seis que somos, para trás. Que chato! Não é nada legal ficar sem o apoio do restante do grupo, mesmo tendo as excelentes e seguras companhias de Sandra La Cava (A Conhecida de Petrópolis – depois com calma explicarei a denominação) e Adriana Hoffmann (A Fotógrafa de Plantão).
A SAÍDA. . .
Bem. . . Acho que agora podemos ir! Não, espere! Ainda tem um detalhe. NÃO SABEMOS O CAMINHOOOOOOOOO! Bom, Bom, Bom, não tá, mas tá bom! Ligação para Rural: expliquem-nos o caminho! Marido de Adriana: vai pela Avenida Brasil*, é mais fácil. Adriana: alguém trouxe máquina fotográfica? Maria Clara: eu trouxe. Adriana para seu marido: você está com sua máquina aí? Marido de Adriana: não. Mas passa na tua mãe e pega a dela. Adriana: não dá tempo de passar lá e pegar a máquina. Aquela sua grandona tá aí? Marido de Adriana: silêncio. Está no carro. Adriana: pode deixar que eu cuido dela. Não vai quebrar. Sandra tira o carro, últimas indicações do marido de Adriana. ENQUANTO ISSO. . . Ficamos no sereno (típico de Petrópolis) esperando “Sandrinha” destravar as portas.
AAAAHHHH! ENFIM DENTRO DO CARRO A CAMINHO DA RURAL. . .
Comentário cochichado entre as alunas (Priscila e Eu, Maria Clara): preparada para nos perder? (risos) Chegando à baixada, parada no posto para abastecer e aproveitar para pedir informações. Pensamento: será que deveríamos pedir mais informações?** Saímos do carro, pois carro a gás não é muito seguro “pagar pra ver”. Então seguimos (correção) tentamos seguir a informação coletada no posto. HAHAHA! Adivinhem? Andamos em círculos. Novamente pedimos informações: onde fica a Via Light? Mais uma vez: voltas. Mais uma vez informações: onde fica a rodoviária? Mais uma vez chegamos a lugar algum. Será que existem duas rodoviárias, uma nova e outra velha, pensamos enquanto ríamos dessa situação. Informações: segue o ônibus das Flores (nome da compania) – nossa última informação. Seguimos. Comentário da professora Sandra: uma vez me disseram a mesma coisa e perdi o ônibus no semáforo. Fiquei andando em círculos, quando o guarda me apitou e falou para eu seguir outro ônibus. Disse que perderia de novo e ele falou que dessa vez era certo. Tchantchararam! Quase perdemos o ônibus no semáforo. O que isso lembra a vocês? Sem comentários!
A DESISTÊNCIA. . .
Ligamos novamente para a Rural, tentando achar a
Via Light Via Light Via Light Via Light
Conseguimos. Entramos nela. Andamos um pouco mais e, então, desistimos porque não sabíamos mais para onde ir, que caminho pegar a partir dali para chegarmos na UFRRJ. Paramos em um acostamento que não existe perto dos muros da Light com uma placa nos seguintes dizeres: Cuidado fios de alta tensão. Que animador! Nossa jornada terminou quando o rapaz que mandaram para nos salvar chegou a pé. A pé?!? Como a pé? Pois é. E não é que era perto.
*Desculpe se não foi essa a indicação exata que ele deu. Considere apenas como uma ilustração, por favor.
**Respondendo ao Pensamento: acho que era melhor termos ficado com as duas primeiras instruções que por si só já nos enrolariam mais adiante.
Maria Clara

terça-feira, 28 de outubro de 2008

O professor, o leitor e a narrativa... – refletindo sobre o nosso processo de formação

Um comentário da professora Silvia me fez ter vontade de escrever esse texto. A experiência que vivemos hoje na oficina da Rural também. Afinal, o que nos forma enquanto leitores, professores, profissionais?
Quantas vezes não ouvimos nos diferentes espaços de atuação as pessoas dizerem que “a Universidade não os preparara para serem leitores, para serem profissionais competentes e etc”?
Posso dizer a vocês, leitores, que as aulas no Magistério (Curso Normal) e Universidade (curso de graduação, especialização, mestrado e doutorado) também não me prepararam para ser professora. Não nessa ótica de que falam as pessoas, do aprender a fazer com uma receita... Aprendi a partir desses espaços a refletir, a articular conhecimentos, a buscar as referências para as minhas dúvidas, a consultar profissionais e a trocar experiências com outros sabendo que por mais que eu aprenda sempre há algo mais para aprender... Sabendo que é essa articulação criadora que me forma e está me formando sempre como pessoa e profissional.
Enquanto professora sei que a sala de aula nos desafia continuamente a cada vez que nos defrontamos com um público diferente, um contexto diverso, um novo livro lançado, uma pesquisa recentemente concluída, um filme que nos fez pensar... Tudo isso nos desafia a articular o nosso olhar à sala de aula, trazer o universo mais alargado do nosso olhar pela experiência vivida para que, assim como nós aprendemos a ver diferente a partir de nossas buscas, os nossos alunos também busquem sempre. Esse é, na verdade, o papel do professor: o de provocador da curiosidade dos alunos, do início da busca na sala de aula e na vida. A escola (e as instituições educacionais em geral) podem ser esse espaço de formação se as pessoas (professores e alunos assim o quiserem).
Mas sabemos que provocar o pensar, o ver dá trabalho... Nossa busca é sempre nova a cada nova experiência se temos a curiosidade da aprendizagem. Do contrário, bastará reproduzir o que está nos livros, não criar nada de novo, nada seu, nada que seu olhar e sua experiência possam trazer de novo... Agem assim os que acham que sabem tudo e que, por isso, não podem ver duas vezes um mesmo filme, voltar a um livro, olhar de novo para a mesma situação já vivida... Só assim se aprende.
A experiência que este grupo do PIC está vivendo é parte disso. Mostra, por exemplo, como uma oficina aparentemente “igual” pode ser tão diferente quando vivida junto a um público de um contexto diferente, uma cidade diferente, com experiências e faixa etária diferente. Imagine se eu tivesse uma “receita” de oficina que funcionasse do mesmo jeito em qualquer contexto e público... Se eu tivesse a “fórmula”, a oficina não seria com “pessoas” e eu talvez não estivesse aqui. Conseguida a “receita” para que precisaria eu continuar estudando, buscando livros, vendo filmes, indo a eventos, trocando experiências com outros se eu já tivesse a “fórmula” que dá certo sempre?
O professor tem esse desafio de, ao lidar com o ser humano, viver constantemente essa incompletude do ser que sempre cresce mas que nunca se completa... Nos formamos em todos os espaços e são tantos os espaços que muitos ainda não descobriram tudo o que os forma a cada dia. Que as experiências vividas por cada um de nós sejam sempre formadoras... E só serão formadoras quando se faz disso, motivo de reflexão, de troca e de aprimoramento constante de nossa ação enquanto professores e alunos que somos nos diferentes contextos em que vivemos.Vamos pensar sobre isso?
Adriana Hoffmann

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Clarice: experiência imortal

Olha a gente aqui de novo, para narrar nossas experiências, contar nossas histórias, chegar até você, leitor.
Contaremos um pouquinho de nossa inesquecível visita ao CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil - RJ) na qual, em uma maravilhosa tarde ensolarada pudemos apreciar minunciosamente a trajetória de vida de uma mulher revolucionária, que foi sem dúvida uma das maiores escritoras desse país. Se Clarice Lispector não tinha a intenção de, com suas palavras transformadas em contos, levar o leitor a mudar a sua visão ou pelo menos a começar um processo reflexivo interior, ao menos deveria ter o desejo de se imortalizar em cada linha escrita.
Acreditamos que este desejo seja a essência das histórias, mesmo que o autor, conscientemente, não o tenha como propósito. Afinal, basta ver quantas histórias vivem até hoje e nos revelam seus autores, por vezes, desconhecidos.
Gostaríamos também de compartilhar com vocês nossa apresentação no campus Nova América, na Estácio, do trabalho “A narrativa e sua dimensão formadora de leitores”. Experienciamos a situação por nós narrada sendo vivenciada por cada pessoa ali presente. Essa é uma forma de imortalizarmo-nos na vida. Certamente nos tornamos personagens da narrativa de muitos deles. Assim, a Humanidade vai construindo sua história: ao conhecermos pessoas novas, seja pessoalmente ou mediada por suas obras; conhecemos novos lugares e, principalmente, quando compartilhamos esses momentos com o ser mais próximo. A palavra tem poder. E ainda há quem duvide disso.
Então é isso aí galera, espero que vocês tenham mergulhado no universo mágico da narrativa e que a partir de nossas experiências possam construir suas próprias experiências. Até a próxima!
Maria Clara, Maira e Priscila

Mais uma oficina - agora na UFRRJ (Rural)

III SEMANA PAULO FREIRE E I SEMANA DE ENSINO DE FILOSOFIA -UFRRJ
Pluralidades e Educação
Na próxima semana no dia 28.10 o grupo do PIC estará realizando atividade na Rural. Abaixo divulgação e site com a programação do evento. Na programação constam apenas os professores responsáveis por cada atividade mas em muitas delas tem sempre alunos envolvidos (como é o caso da nossa). Dêem uma olhada e apareçam! As inscrições no evento devem ser feitas via internet.
Programação
Oficinas e Mini-cursos
http://www.ufrrj.br/paulofreire/

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Ode à Exposição da Clarice (no CCBB)

Conduzimo-nos em direção ao CCBB
Lá chegando, que poética exposição!
Ante os visitantes, excertos de Clarice
Reunidos magnificamente nas paredes.
Incríveis jogos de luz e sombra
Combinados com textos de suas obras
Explodiam ao olhar maravilhado nosso.
L ugar cheio de gavetas como um arquivo
I ntimamente guardava um pouco de sua vida
S ubmetia os visitantes a ler cartas e escritos.
P endiam, em outra sala, livros do teto
E spetacular visão, com TVs apresentando vídeos
C omunicavam seus dramas, seus amores
T ocando os corações, mentes e almas
O ferecendo uma das mais ricas histórias
R etratos da poetiza inesquecível que é Clarice
Giancarlo

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Felicidade clandestina

Um conto de Clarice Lispector para conhecerem um pouco da autora...
Ela era gorda, baixa, sardenta e de cabelos excessivamente crespos, meio arruivados. Tinha um busto enorme, enquanto nós todas ainda éramos achatadas. Como se não bastasse, enchia os dois bolsos da blusa, por cima do busto, com balas. Mas possuía o que qualquer criança devoradora de histórias gostaria de ter: um pai dono de livraria. Pouco aproveitava. E nós menos ainda: até para aniversário, em vez de pelo menos um livrinho barato, ela nos entregava em mãos um cartão-postal da loja do pai. Ainda por cima era de paisagem do Recife mesmo, onde morávamos, com suas pontes mais do que vistas. Atrás escrevia com letra bordadíssima palavras como "data natalícia" e "saudade". Mas que talento tinha para a crueldade. Ela toda era pura vingança, chupando balas com barulho. Como essa menina devia nos odiar, nós que éramos imperdoavelmente bonitinhas, esguias, altinhas, de cabelos livres.
Comigo exerceu com calma ferocidade o seu sadismo. Na minha ânsia de ler, eu nem notava as humilhações a que ela me submetia: continuava a implorar-lhe emprestados os livros que ela não lia. Até que veio para ela o magno dia de começar a exercer sobre mim uma tortura chinesa. Como casualmente, informou-me que possuía As Reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato. Era um livro grosso, meu Deus, era um livro para se ficar vivendo com ele, comendo-o, dormindo-o. E completamente acima de minhas posses. Disse-me que eu passasse pela sua casa no dia seguinte e que ela o emprestaria.
Até o dia seguinte eu me transformei na própria esperança da alegria: eu nao vivia, eu nadava devagar num mar suave, as ondas me levavam e me traziam. No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava num sobrado como eu, e sim numa casa. Não me mandou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia seguinte para buscá-lo. Boquiaberta, saí devagar, mas em breve a esperança de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua a andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas de Recife. Dessa vez nem caí: guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei pulando pelas ruas como sempre e não caí nenhuma vez. Mas não ficou simplesmente nisso. O plano secreto da filha do dono de livraria era tranqüilo e diabólico.
No dia seguinte lá estava eu à porta de sua casa, com um sorriso e o coração batendo. Para ouvir a resposta calma: o livro ainda não estava em seu poder, que eu voltasse no dia seguinte. Mal sabia eu como mais tarde, no decorrer da vida, o drama do "dia seguinte"com ela ia se repetir com meu coração batendo. E assim continuou. Quanto tempo? Não sei. Ela sabia que era tempo indefinido, enquanto o fel não escorresse todo de seu corpo grosso. Eu já começara a adivinhar que ela me escolhera para eu sofrer, às vezes adivinho. Mas, adivinhando mesmo, às vezes aceito: como se quem quer me fazer sofrer esteja precisando danadamente que eu sofra. Quanto tempo? Eu ia diariamente à sua casa, sem faltar um dia sequer. As vezes ela dizia: pois o livro esteve comigo ontem de tarde, mas você só veio de manhã, de modo que o emprestei a outra menina. E eu, que não era dada a olheiras, sentia as olheiras se cavando sob os meus olhos espantados.
Até que um dia, quando eu estava à porta de sua casa, ouvindo humilde e silenciosa a sua recusa, apareceu sua mãe. Ela devia estar estranhando a aparição muda e diária daquela menina à porta de sua casa. Pediu explicações a nós duas. Houve uma confusão silenciosa, entrecortada de palavras pouco elucidativas. A senhora achava cada vez mais estranho o fato de não estar entendendo. Até que essa mãe boa entendeu. Voltou-se para a filha e com enorme surpresa exclamou: mas este livro nunca saiu daqui de casa e você nem quis ler! E o pior para essa mulher não era a descoberta do que acontecia. Devia ser a descoberta horrorizada da filha que tinha. Ela nos espiava em silêncio: a potência de perversidade de sua filha desconhecida e a menina loura em pé à porta, exausta, ao vento das ruas de Recife. Foi então que, finalmente se refazendo, disse firme e calma para a filha: você vai emprestar o livro agora mesmo. E para mim: "E você fica com o livro por quanto tempo quiser." Entendem? Valia mais do que me dar o livro: "pelo tempo que eu quisesse" é tudo o que uma pessoa, grande ou pequena, pode ter a ousadia de querer.
Como contar o que se seguiu? Eu estava estonteada, e assim recebi o livro na mão. Acho que eu não disse nada. Peguei o livro. Não, não saí pulando como sempre. Saí andando bem devagar. Sei que segurava o livro grosso com as duas mãos, comprimindo-o contra o peito. Quanto tempo levei até chegar em casa, também pouco importa. Meu peito estava quente, meu coração pensativo. Chegando em casa, não comecei a ler. Fingia que não o tinha, só para depois ter o susto de o ter. Horas depois abri-o, li algumas linhas maravilhosas, fechei-o de novo, fui passear pela casa, adiei ainda mais indo comer pão com manteiga, fingi que não sabia onde guardara o livro, achava-o, abria-o por alguns instantes. Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade. A felicidade sempre iria ser clandestina para mim. Parece que eu já pressentia. Como demorei! Eu vivia no ar... Havia orgulho e pudor em mim. Eu era uma rainha delicada. As vezes sentava-me na rede, balançando-me com o livro aberto no colo, sem tocá-lo, em êxtase puríssimo. Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com o seu amante.
http://intervox.nce.ufrj.br/~valdenit/felicida.htm Acesso em 7/10

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

O olhar e a foto – sobre Clarice Lispector

"Eu escrevo sem esperança de que o que eu escrevo altere qualquer coisa. Não altera em nada... Porque no fundo a gente não está querendo alterar as coisas. A gente está querendo desabrochar de um modo ou de outro..." Clarice Lispector
Nossa entrada no CCBB para ver, ouvir e falar com Clarice Lispector foi triunfal. A recepção permitiu articular o visual da artista pousado numa grande teia de maneira a se chegar e aconchegar a cada um de nós. Chegar é diferente de aconchegar.Chega-se pela primeira vez...Daí em diante, aconchega-se ou não se chega mais. As palavras permitem tal tipo de brincadeira...Mas será mesmo brincadeira ou desbordar da realidade que se percebe com o coração?
Interessante observar: a máquina fotográfica impedida de chegar...Chegamos nós e a máquina, do lado de fora. Fez-me lembrar texto de Saramago quando ele conta que, em sua meninice, queria saber como eram as coisas, quando o olho não as olhava... Curiosidade brava, mesmo! E pensou na máquina fotográfica para ajudá-lo a capturar as coisas, ela sozinha, onde não houvesse ninguém. Mas esqueceu-se de que, onde há uma máquina fotográfica, há um olho humano por trás....E, assim, entramos sem máquina para ver Clarice... Não se podia fotografar nada, no ambiente...Continuei me lembrando do Saramago...Adolescente, ainda, não conhecia muitas coisas da alma humana... Entendi por que deixar a máquina do lado de fora... As meninas não se conformavam. Teimavam em registrar, com a máquina...Continuei pensando no Saramago...Que bela lição! Para que as máquinas? Para registrarmos o belo, o prazeroso, eternizar o momento...Ássim que pensamos. Com a máquina, segurar o efêmero... Um olho humano conduz a máquina...Assim, para que a máquina, se há o olho humano? Ele garantirá os registros com a alma, com a sensibilidade, cheios de nuances...
As coisas são mais espertas e não se deixam enganar com facilidade..., nos diz Saramago. As coisas sempre arranjam um jeito de se tornarem eternas....Quaisquer coisas? Aquelas que nos tocam a alma... Essas dispensam a máquina... Continua Saramago a nos instigar.. Para onde vão essas coisas, que não se registram na máquina? Com certeza caminham para a memória, guardadas a sete chaves, permanecendo em lugar nenhum e em todos os lugares, quando tocadas por um raio de curiosidade, de paixão e de êxtase, que desencadeia o rememorar em narrativas que, aos borbotões e fúria, permitem a luz reacender e o momento registrado na alma, reviver.
Assim percebi Clarice, em todo o seu esplendor, viva naquele momento e imortal em minha alma.
Sandra La Cava

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Algumas fotos da Jornada Científica

A jornada foi muito boa. Vejam as fotos! Em breve traremos aqui mais informações sobre os acontecimentos... Aguardem ainda essa semana! Palestra com a professora Ana Valéria apresentando sua maravilhosa tese de Doutorado recentemente concluída. Fez todos nós pensarmos sobre as representações construídas sobre o ser professor ao longo da história: permanências e mudanças.Muito para se pensar... Grupo do PIC apresentando... E brilhantemente!! Grupo do PIC apresentando também!! Capricharam... O local da apresentação lotado!! O nosso grupo do PIC depois das apresentações do dia... Cansados mas satisfeitos!!

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

IV JORNADA DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA

04 DE OUTUBRO DE 2008
CAMPUS NOVA AMÉRICA
O grupo do PIC estará nesse próximo sábado, dia 4/10, apresentando trabalhos sobre a pesquisa na Jornada de Iniciação Científica da Estácio que acontecerá no Campus Nova América. Vejam a chamada acima de divulgação. Em breve, numa próxima postagem, colocaremos fotos e informações.

Narrando lembranças na oficina

Aqui um pouco da oficina de sábado no Palácio de Cristal para terem um gostinho... Um pouco das opiniões de alunos do PIC que viveram essa experiência.
Quero relatar que fiquei emocionadíssimo com a experiência das memórias e narrativas realizada no Palácio de Cristal. Não poderia ter sido melhor! Apesar da chuva, pudemos interagir de forma significativa e percebi claramente como determinados símbolos nos reportam às nossas lembranças de forma particular. Os objetos são interpretados pelos sentidos físicos da mesma forma, mas não no sentido emocional; isso é o que me chamou mais a atenção! Agradeço a oportunidade de participar desse maravilhoso projeto!
Giancarlo
Na semana anterior ao evento, fiquei muito curiosa para saber qual seria o resultado do nosso trabalho. Finalmente já era sábado! O encontro foi maravilhoso, as pessoas interagiram conosco de uma forma tão "gostosa"! Fiquei admirando o rosto daquela gente, ali sentada, enquanto a professora Sandra contava a história do Guilherme Augusto... Foi muito legal ver as "caras e bocas", todas as expressões e a atenção para entender a história. A professora Sandra está certa ao falar que "para ouvir história não tem idade". Pude comprovar esse fato lá no Palacio de Cristal. Ao ouvir os relatos contados pelos participantes acabei me lembrando das minhas histórias e aventuras que vivi quando criança. É importante ressaltar como as narrativas dos outros nos remetem as nossas próprias narrativas, parece que as histórias "se entrelaçam" não perdendo, é claro cada uma a sua individualidade. O evento foi maravilhoso! Aguardo o próximo.
Monique Botelho

sábado, 27 de setembro de 2008

Todos somos narradores...

A partir da postagem anterior do conto do Galeano sobre os livros que moram dentro da gente podemos dizer que o narrador é esse que conta as histórias “de dentro dele” para seus ouvintes, leitores... De onde elas vieram não importa, importa como elas se tornaram parte de sua história...
O que faz com que contemos nossas histórias? Porque passamos ou não adiante o que vivemos? O que pode ser considerado importante para ser contado aos outros?
Ao falar sobre a narrativa, Benjamin fala que a narrativa vem do saber dos viajantes e dos moradores mais antigos das localidades. Os viajantes porque ao viajar vêem e ouvem muita coisa e tem muito para contar... Os moradores, porque por viverem muito e há muito tempo na localidade, conhecem muitas histórias e já viveram muita coisa, logo têm muitas histórias para contar. E não são poucas as histórias que esses sujeitos têm para contar... O narrador é aquele que retira da sua experiência a matéria de sua narração. Narra a partir do que vive.
Benjamin comenta que a guerra deixou mudas as pessoas, fez com que não tivessem mais o que contar e narrar, o que passar adiante. Isso porque não tinham experiências significativas que merecessem ser passadas adiante, compartilhadas. Contar o que vive-se numa guerra não é algo que seja desejável nem para quem conta e nem para quem ouve.
Minha experiência familiar exemplifica bem essa diferença entre poder ser ou não narrador. Meu pai viveu sua infância de pé no chão, tomando banho de cachoeira, pegando frutas no pé, pregando peças nos primos, brincando com os bichos e inventando histórias em meio aos bois, aranhas(mesmo!) e aventuras. Comendo melado, se lambuzando no chuvisco de Campos e vivendo com uma família grande de muitos irmãos, tios e primos. Já minha mãe passou sua infância inicial até 6 anos de idade na guerra na Alemanha. Nasceu na II Guerra Mundial. Veio fugindo da guerra com a mãe e dois irmãos por volta dessa idade para o Brasil. Era a filha mais velha. Nunca mais viu seu pai que ficou por lá só o vendo depois de adulta quando já era casada e eu já tinha nascido. Viveu sua infância em colégio interno pois sua mãe, minha avó, tinha que trabalhar para criar sozinha os três filhos.
Outro dia lembrando da minha infância ficou muito claro para mim o que diz Benjamin em seus textos. Meu pai contava muitas histórias da sua infância, da sua terra, das brincadeiras que fazia na sua época... Minha mãe sempre que eu perguntava sobre sua infância só lembrava da guerra, de ter uma batata para comer por uma semana, de correrem para o porão com as bombas... Mas me lembro que perguntava: mas mãe de que você brincava? O que fazia quando era criança? Que historias você ouvia? Ela nunca me falou muito sobre o que viveu nesse tempo e nem contava histórias. Talvez a guerra realmente a tenha emudecido nesse aspecto. Quando contava ela só lembrava de histórias da juventude quando a infância da guerra já tinha ido longe, quando a vida já tinha recuperado suas forças. Momentos em que ela já podia (e já tinha o que contar) do que viveu... Pois como nos diz Galeano em outro conto “o medo seca a boca” nos impede de contar e passar adiante o que vivemos. Mas as histórias de nossa vida existem para serem contadas, serem ouvidas e conservarem aceso o enredo da humanidade. E como nos diz Gilka Girardello eu espero “que não tenhamos que esperar os cabelos brancos para compartilhar nossas mais divertidas, assombrosas e emocionadas histórias”(on-line).
Que isso sirva para pensarmos o quanto nossa vida nos permite (e nós também nos permitimos) sermos ou não narradores. O quanto também alguns vivem “as guerras do cotidiano” que deixam mudos o seu contar, tiram-lhes a sedução do ver e do fantasiar sejam eles crianças, jovens, adultos ou idosos... Afinal, como podemos ter uma vida que, com a magia do olhar, veja em nosso cotidiano sempre histórias para contar e passar adiante?
Adriana Hoffmann

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

OFICINA MEMÓRIA: NARRANDO LEMBRANÇAS

Nesse sábado, 27/09, em Petrópolis no Palácio de Cristal teremos a oficina realizada pelo grupo do PIC da Estácio Petrópolis em comemoração ao Dia do Idoso. Vários cursos realizarão atividades para os idosos e, entre eles, o nosso grupo. Vejam a programação e compareçam!

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

A Função do leitor/1

Um conto de Eduardo Galeano para lembrarmos das histórias que moram dentro de nós... Histórias que como no conto, podem ser lidas, como também vistas, vividas, ouvidas...
Quando Lucia Pelãez era pequena, leu um romance escondida. Leu aos pedaços, noite após noite ocultando o livro debaixo do travesseiro. Lucia tinha roubado o romance da biblioteca de cedro onde seu tio guardava os livros preferidos.
Muito caminhou Lucia, enquanto passavam-se os anos. Na busca de fantasmas caminhou pelos rochedos sobre o rio Antióquia, e na busca de gente caminhou pelas ruas das cidades violentas.
Muito caminhou Lucia, e ao longo de seu caminhar ia sempre acompanhada pelos ecos daquelas vozes distantes que ela tinha escutado, com seus olhos, na infância.
Lucia não tornou a ler aquele livro. Não o reconheceria mais. O livro cresceu tanto dentro dela que agora é outro, agora é dela.
Fonte: Galeano, Eduardo. O livro dos abraços. Porto Alegre: LP&M, 2008.

domingo, 21 de setembro de 2008

A PESQUISA E SUAS CONTRIBUIÇÕES PARA A EDUCAÇÃO

Trazemos aqui brevemente elementos de discussão da organização da pesquisa. Existem alguns aspectos básicos a serem contemplados na elaboração de uma proposta de pesquisa científica tais como: OBJETIVO, JUSTIFICATIVA, PROBLEMA, REFERENCIAL TEÓRICO, METODOLOGIA e REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.
O primeiro passo para começar uma pesquisa é a escolha do objeto de estudo relacionado a uma problematização deste. Tal problematização articulada ao objeto irá gerar os objetivos e a metodologia da pesquisa que sempre estará ancorada em um referencial teórico. Como exemplo, temos nosso problema de pesquisa que é investigar de que maneira os universitários dos cursos de Pedagogia, Letras e Comunicação Social significam a LEITURA na que diz respeito às relações leitor/ texto/ contexto.
Em geral, um bom problema de pesquisa atende a cinco características:
1. Deve ser formulado como uma pergunta;
2. Deve ser claro e preciso;
3. Deve ser empírico;
4. Deve ser suscetível de solução;
5. Deve ser limitado a uma dimensão viável.
Nesse aspecto, a pesquisa é conduzida como uma experiência reflexiva com o propósito de diagnosticar conteúdos que fazem parte do estudo, possibilitando uma reelaboração que visa mudar o nosso modo de pensar e agir, alterando, dentro dos limites cabíveis, a interpretação do objeto de estudo.
O pesquisador ao traçar metas a serem alcançadas estará propondo os objetivos de sua pesquisa. Uma pesquisa ao ser realizada poderá trazer elementos para refletir sobre uma determinada situação ou realidade ou mesmo modificar a realidade investigada (se for o caso) mediante a interpretação dos dados que possibilite uma determinada intervenção na realidade.
Articulando à nossa pesquisa, por exemplo, temos como objetivos:
• Compreender como se dão os processos de subjetivação - objetivação em torno do ato da leitura como prática histórico-cultural, que se realiza em diversos espaços - tempos.
• Compreender como as práticas culturais interferem no processo cognitivo da leitura, re-significando a sua dimensão cultural e coletiva.
• Ampliar os conhecimentos no campo das práticas sociais de leitura dos alunos dos cursos de Pedagogia, Letras e Comunicação da Universidade Estácio de Sá – Campus Petrópolis.
• Ampliar o espaço de divulgação e visibilidade do Projeto na comunidade acadêmica através de publicação de artigo e/ou comunicação referente às reflexões vividas no grupo de pesquisa.
A pesquisa tem o papel de nos fazer refletir sobre a realidade que nos cerca permitindo construir novos caminhos em vez de repetir, sempre, os caminhos já conhecidos. Afinal, a realidade histórica e social muda mesmo que certos problemas permaneçam por variados motivos. Precisamos levar em consideração que o que hoje é tido como uma verdade, amanhã poderá não ser.
Giancarlo Kind Schmid e Monique Carnevali

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Que leitores somos?

Ao longo das discussões e conversas em nosso projeto percebemos que muitas são as memórias que nos constituem e muitas são as histórias que fazem parte delas. Ao longo dos nossos encontros lemos contos de vários autores como Marina Colassanti, Silvia Orthof, Adélia Prado que aparecem citados nas diferentes postagens. Histórias que foram entrelaçadas em nossos diálogos e memórias de leituras e fizeram parte da história construída por esse grupo nesse processo de diálogo narrativo. Afinal, o que nos dizem essas histórias em relação a tudo o mais que lemos e discutimos? O que estas histórias nos falam sobre ser humano, ser leitor... Nosso intuito é trazer o leitor para a roda do debate, saber quem é ele e como se constitui nos diferentes espaços em que circula... Essa é a nossa questão.
O que têm em comum todas essas histórias? Falamos da narrativa, do narrador segundo Walter Benjamin. Porque elas são narrativas e não outras?
Uma questão percebida nesses contos que os faz serem narrativas são suas características. Uma delas é a ausência de explicações cabendo ao leitor ou ao ouvinte interpretar o que ouve e lê. Percebemos em nossas discussões a respeito de Benjamin o quanto a narrativa tem um caráter artesanal e funda-se na experiência transmitida oralmente de uma geração a outra carregando consigo a experiência daquele que a narra (narrador/contador de histórias). Quase sempre essa experiência narrativa está fundada num interesse prático - sob a forma de um conselho carregado de sabedoria...
Outros textos analisados e considerados não-narrativas pelo nosso grupo tinham a presença forte da explicação e eram em sua maioria textos recebidos via internet e anônimos. De quem é a experiência de um texto anônimo? De alguém que nem mesmo quis se identificar? Que caráter artesanal, de vida e de narração, pode ter um texto desses?
Cada um dos que nos lê pode nos dizer um pouco sobre o que algumas destas histórias lhes fizeram pensar e viver. Mas não dirá o que nós vivemos no entrecruzamento das leituras, debates e elaborações feitas por nós. Um pouco do que discutimos está aqui nesse BLOG.
Assim, trazemos aqui o que construímos e aguardamos vocês, leitores, para que tragam também suas histórias com essas leituras que são narrativas. Para que elas, as narrativas, sejam sempre recontadas e relembradas e sejam sempre novas para cada um de vocês que com elas entra em contato. Afinal, sabemos que - se elas são mesmo narrativas - não terminam por aqui...
Adriana Hoffmann e Maira Fontainha

domingo, 7 de setembro de 2008

Mergulho no Infinito Branco do Luar

Em nossa última reunião lemos o livro “Guilherme Augusto Araújo Fernandes” de Mem Fox, que trata de um menino que queria ajudar uma senhora do asilo vizinho a sua casa, porque todos diziam que ela havia perdido a memória. Ele não sabia o que era memória e perguntou aos seus pais e aos demais adultos do asilo. Cada um definiu MEMÓRIA segundo sua idéia sobre essa palavra, mas o menino não se contentou. Então, com sua criatividade infantil, juntou alguns objetos de sua vivência e os levou para aquela senhora “desmemoriada”. Mostrando-os a ela, histórias de sua vida foram voltando e trazendo sua memória de volta. Augusto entendeu que ela havia perdido as memórias dentro dela mesma e que poderiam ser resgatadas... Bastava um pouco de sensibilidade.
Sem precisar ir a um asilo, mas apenas à casa dos meus avós, os filhos e netos resgatam as memórias de uma vida cheia de lembranças que aconteceram paralelamente a fatos históricos do século XX descritos pelos livros de historiadores. Permeada de leituras de contos e poemas, além de muita seresta, nossas reuniões familiares são marcadas com alegria, comilança, fogueira e violão. Como uma típica família italiana!
Nossa próxima reunião será realizada para comemorarmos os 90 anos do meu avô e, sem dúvida, milhares de histórias surgirão. O prazer que ele tem é de compartilhá-las com seus familiares.
Sua música favorita é Lua Branca de Chiquinha Gonzaga que, ainda hoje, com certa dificuldade – porque suas mãos não possuem mais a agilidade da juventude – toca com emoção.
Oh! Lua branca de fulgor e de encanto Se é verdade que ao amor tu dás abrigo Oh! Vem tirar dos olhos meus o pranto E vem matar esta paixão que anda comigo
Oh! Por quem és, desce do céu oh! Lua branca Esta amargura do meu peito oh! Vem arranca Dá-me o luar da tua compaixão E vem por Deus iluminar meu coração [...]
Em seu livro, meu avô conta uma lembrança sobre essa música:
“Lua Branca” era a canção preferida do meu irmão Cássio que, além das serestas, gostava de se divertir junto com dois amigos inseparáveis: o José Badu de Aragão Gesteira, o Zé Badu, e o José Augusto dos Santos, o Zé Manquinho, que tinha esse apelido por causa de um defeito na perna. Apesar da farra que aprontavam, toda vez que o Cássio cantava Lua Branca, os dois ficavam embevecidos e o Zé Manquinho costumava jogar o chapéu no chão, pisá-lo repetidas vezes, com os cabelos eriçados. Depois que o meu irmão saiu de Ouro Preto, os dois brigaram e o Zé Manquinho entregou-se à bebida e contraiu tuberculose. Certa vez pediu-me que cantasse para ele a Lua Branca e poucos dias depois faleceu. (LANARI, 2003)
Este livro chama-se Ouro Preto em Seresta e é o xodó do meu avô, que com muito sacrifício – como o é para qualquer escritor no Brasil – conseguiu editá-lo através do patrocínio da USIMINAS e lançá-lo em uma Biblioteca Municipal de Belo Horizonte e na Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP).
Preciso confessar que um dia fui bem parecida com Guilherme Augusto. Quando, por exemplo, digitei o caderno com as letras das serestas compostas pela família, que se perderiam se não o fizesse. Quando descobri que possuíamos um parente poeta que logo me identifiquei por também escrever poemas. Quando soube que nossa família tem uma vertente Drummond, ah! Fiquei radiante.
Precisamos ser um pouco Guilherme Augusto para não nos perdermos no tempo em que vivemos, sem jamais sermos lembrados por nossas histórias contadas pelos nossos descendentes. Mergulhe na história de sua família! Quem sabe você não possui um Machado de Assis como parente?
Maria Clara Lanari Barros

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Memórias de livros

Um trecho do conto de João Ubaldo Ribeiro para pensarmos sobre a memória... Afinal, o que as mediações nos fazem viver sobre o que lemos e como lemos os livros?
(...) Sim, tínhamos muitas conversas sobre livros. Durante toda a minha infância, havia dois tipos básicos de leitura lá em casa: a compulsória e a livre, esta última dividida em dois subtipos -- a livre propriamente dita e a incerta. A compulsória variava conforme a disposição de meu pai. Havia a leitura em voz alta de poemas, trechos de peças de teatro e discursos clássicos, em que nossa dicção e entonação eram invariavelmente descritas como o pior desgosto que ele tinha na vida. Líamos Homero, Camões, Horácio, Jorge de Lima, Sófocles, Shakespeare, Euclides da Cunha, dezenas de outros. Muitas vezes não entendíamos nada do que líamos, mas gostávamos daquelas palavras sonoras, daqueles conflitos estranhos entre gente de nomes exóticos, e da expressão comovida de minha mãe, com pena de Antígona e torcendo por Heitor na Ilíada. Depois de cada leitura, meu pai fazia sua palestra de rotina sobre nossa ignorância e, andando para cima e para baixo de pijama na varanda, dava uma aula grandiloqüente sobre o assunto da leitura, ou sobre o autor do texto, aula esta a que os vizinhos muitas vezes vinham assistir. Também tínhamos os resumos -- escritos ou orais -- das leituras, as cópias (começadas quando ele, com grande escândalo, descobriu que eu não entendia direito o ponto-e-vírgula e me obrigou a copiar sermões do Padre Antônio Vieira, para aprender a usar o ponto-e-vírgula) e os trechos a decorar. No que certamente é um mistério para os psicanalistas, até hoje não só os sermões de Vieira como muitos desses autores forçados pela goela abaixo estão entre minhas leituras favoritas. (Em compensação, continuo ruim de ponto-e-vírgula).
Mas o bom mesmo era a leitura livre, inclusive porque oferecia seus perigos. Meu pai usava uma técnica maquiavélica para me convencer a me interessar por certas leituras. A circulação entre os livros permanecia absolutamente livre, mas, de vez em quando, ele brandia um volume no ar e anunciava com veemência:
-- Este não pode! Este está proibido! Arranco as orelhas do primeiro que chegar perto deste daqui!
O problema era que não só ele deixava o livro proibido bem à vista, no mesmo lugar de onde o tirara subitamente, como às vezes a proibição era para valer. A incerteza era inevitável e então tínhamos momentos de suspense arrasador (meu pai nunca arrancou as orelhas de ninguém, mas todo mundo achava que, se fosse por uma questão de princípios, ele arrancaria), nos quais lemos Nossa vida sexual do Dr. Fritz Kahn, Romeu e Julieta; O Livro de San Michele, Crônica Escandalosa dos Doze Césares, Salambô, O Crime do Padre Amaro -- enfim, dezenas de títulos de uma coleção estapafúrdia, cujo único ponto em comum era o medo de passarmos o resto da vida sem orelhas -- e hoje penso que li tudo o que ele queria disfarçadamente que eu lesse, embora à custa de sobressaltos e suores frios.
Na área proibida, não pode deixar de ser feita uma menção aos pais de meu pai, meus avós João e Amália. João era português, leitor anticlerical de Guerra Junqueiro e não levava o filho muito a sério intelectualmente, porque os livros que meu pai escrevia eram finos e não ficavam em pé sozinhos. "Isto é uma merda", dizia ele, sopesando com desdém uma das monografias jurídicas de meu pai. "Estas tripinhas que não se sustentam em pé não são livros, são uns folhetos". Já minha avó tinha mais respeito pela produção de meu pai, mas achava que, de tanto estudar altas ciências, ele havia ficado um pouco abobalhado, não entendia nada da vida. Isto foi muito bom para a expansão dos meus horizontes culturais, porque ela não só lia como deixava que eu lesse tudo o que ele não deixava, inclusive revistas policiais oficialmente proibidas para menores. Nas férias escolares, ela ia me buscar para que eu as passasse com ela, e meu pai ficava preocupado. (...)
http://www.releituras.com/joaoubaldo_memoria.asp (não deixem de ler o restante do conto na página original)

terça-feira, 26 de agosto de 2008

MONTANHAS

Depois da experiencia da Olimpíada um conto chinês para pensarmos sobre a cultura e a experiência desse povo. por Liezi, período dos Estados Combatentes (475-221 aC) recontado por Sérgio Capparelli
Meu avô tinha quase 90 anos e todo mundo dizia que ele era muito louco. E era. Mas eu gostava muito dele, principalmente pelas suas idéias malucas. Nessa época, ele disse que iria mudar de lugar as montanhas Taihang e Wangwu.
Claro, ninguém acreditou que ele fosse capaz de fazer isso.
No dia seguinte, ele saiu bem cedo para abrir caminho até o mercado de Hanying, como tinha prometido, para facilitar a venda de frutas e verduras.
- Essas montanhas ficam no caminho e atrapalham, pois tenho de dar voltas e voltas para chegar ao mercado. Aliás, não só eu, mas todo mundo.
Ele começou a encher o cesto com pedras. No início não dei importância, pois queria saber se ele tinha uma mágica, que resolvesse tudo de vez. Mas ele não tinha. Encheu dois cestos, passou nas alças dos cestos uma vara de bambu e equilibrou essa vara no ombro e na nuca, distribuindo o peso em cada extremidade.
Quando ele passou na frente de casa, vovó perguntou:
- E onde vai jogar as pedras? - No mar Bohai – ele respondeu.
Quando vovô voltou do Mar Bohai, decidi ajudá-lo. A gente quebrava as pedras, enchia com elas os cestos e íamos jogá-las no mar. O filho da nossa vizinha, que tinha nascido depois da morte do marido, veio nos ajudar e aceitamos.
Passamos a trabalhar de domingo a domingo, de primavera a primavera, e voltávamos para casa apenas uma vez por ano. Mesmo quem vivia criticando vovô, por causa de suas idéias malucas, se dispuseram a ajudar. Meus tios, por exemplo. Meus primos. Os vizinhos e os vizinhos desses vizinhos. Sim, diziam, essas montanhas têm de sair do lugar.
Um homem que vivia na beira do rio duvidou de que meu vô conseguisse mover as montanhas, tentando provar essa impossibilidade com muitos cálculos.
-Ah, me desculpe, mas não vai conseguir – disse ele para o meu vô - Você nem consegue levantar sozinho um saco de batata, quanto mais uma montanha.
Meu avô olhou pra ele, coçou a cabeça, olhou as duas montanhas, procurou o Mar Bohai lá longe, pareceu que ia concordar, mas não concordou:
-Mesmo se eu morrer, meus filhos continuam meu trabalho. E se eles morrerem, seus filhos, os filhos de seus filhos, os netos de seus filhos, os filhos dos filhos de seus netos. Já as montanhas não crescem mais. Por isso vamos continuar nosso trabalho.
Ilustração Wang Leu, Dinastia Ming, Montanha Hua Shan http://www.capparelli.com.br/contos.php Acesso em agosto de 2008.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

IDÉIAS

Ao ouvir o conto “Uma idéia toda azul” de Marina Colassanti, senti uma forte emoção e fiquei tão penalizada pelo rei ter deixado passar aquela e tantas outras oportunidades de compartilhar suas idéias com os que o cercavam e também de colocá-las em prática imediatamente.Me veio em mente um pensamento que havia lido naquela manhã, cujo autor não conheço, que era “uma idéia que não é colocada em prática é apenas um sonho”.
A professora Sandra também se recordou do livro de Ruth Rocha “Nicolau tinha uma idéia” que lembra a troca das idéias de Nicolau com as pessoas a sua volta. Essa troca é a mola propulsora, é o que nos diferencia enquanto seres que se relacionam socialmente.
De uma idéia surgem outras e outras que se perdem se não forem colocadas em prática ou compartilhadas. Nem sempre as idéias surgem sem uma intencionalidade definida, mas é junto com o outro que ela ganha forma e passa a ação transformadora, seja de pessoa, seja de coisa ou de objeto.
Nosso potencial criativo é muito importante no contexto em que vivemos. E essa contribuição pode influenciar mudanças transformadoras. Um dia li um texto chamado “A menina do vestido azul” de Thais da Silva que propunha uma dialética de ação. O professor de uma menina teve a idéia de presenteá-la com um vestido azul.
A partir dessa idéia colocada em prática ocorreram inúmeras mudanças na vida de sua aluna, dos pais da menina, em toda a comunidade em que vivia e no seu país. Podemos, então, chegar à conclusão de que a verdadeira mudança parte da melhora do que está ao nosso alcance até melhorar o que não está, ou mesmo, permanecer tudo como está. Tudo depende se teremos coragem de compartilhar nossas idéias com outras pessoas ou mesmo colocá-las em pratica, juntos ou sozinhos.
Monique Botelho

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

O GUARDA-CHUVA, O TEMPO e A NARRATIVA - uma experiência?

Narrando vou retornando ou retomando, tal qual a roda gigante, que de maneira cadenciada roda, roda... (como a roda do guarda-chuva de Pérpetua...) Quando pára, para embarcar um novo passageiro, o faz de forma igualmente ritmada. Como o viver, sem perder de vista detalhes. Detalhes que de tão vividos necessitam ser narrados.
Será que Perpétua após retomar as voltas de sua vida, no texto de Sylvia Ortoff, continuará tão perpétua? Talvez o seu retornar, ou o retomar da própria narrativa possa tê-la tornado mais mortal e possivelmente, inesquecível. Walter Benjamin alerta para essa questão: relembramos ou narramos para não esquecer e também para pretensamente nos tornarmos imortais. Nada mais mortal do que o desejo de se tornar imortal.
Narrando nos apropriamos do tempo tornando-o literalmente concreto para si e para os outros. Posse à qual nos agarramos, e que não queremos perder, e porque não confessar?
A narrativa é (re) construção das experiências factuais pela via literária. É um meio de descobrir e explorar novas formas de contar a própria vida. E a vida se faz nas rodas do tempo. Como aplacá-lo de forma a parecer-nos menos cruel? Lembranças, muita imaginação e um toque de humor. Foi assim que Sylvia Ortoff conseguiu nos traduzir a história de "Perpétua e seu guarda-chuva". Perpétua é ela, a autora, mas também um pouco de cada um de nós. O tempo leva muitas coisas, menos as memórias.
A narrativa é uma "chuva de palavras". Não desconexas, mas apropriadamente posicionadas, qual jardim cuidadosamente planejado. Se palavras fossem pingos de chuva, não manteria meu guarda-chuva aberto. Deixaria banhar-me nas águas da inspiração. Seria alguém "ensopado de idéias". Ah! E o guarda-chuva? Quando tomados pelo espírito da literatura, somos como crianças soltas na tempestade: brincando com o vento, as poças d´água e a borrasca. O tempo pode secar parte do que se enxarcou.
Aliás, precisamos sempre nos cuidar para que o tempo "não nos seque demais". Então, para que o guarda-chuva? Sim, sim! Perpétua o utilizava para rodar a roda do tempo. Para frente, para trás. Não tenho um guarda-chuva como esse, o meu é bem comum, me parece alguém esquálido vestido de luto. Ora, narrativas também tem seus momentos tristes... ou não?
O tempo, intransigente em sua caminhada, é o "pai das narrativas". Uma vida sem histórias, é uma vida vazia. É como olhar para cima, para meu guarda-chuva aberto: uma armação magra que sustenta um nylon negro. É como se estivesse vendo uma noite sem estrelas. Qual a graça? A roda gira...a vida segue...Imagens, idéias, pensamentos construídos precisam ser narrados. Não dá para guardar tanta emoção que a vida se nos apresenta. E nesse movimento, ora rápido, ora mais vagaroso, na alteração natural do tempo, construímos nosso caminho. E o guarda-chuva vai nos impulsionando a novas aventuras... Mergulhamos no passado que se torna presente à medida que a subjetividade resgata momentos fortes vividos e con-vividos. Acolher a vida e narrá-la para eternizá-la. É o que resta ao homem, limitado e poderoso, enfim.
Autores: Célia Ribeiro, Giancarlo e Sandra La Cava