terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
Uma história (re) contada
domingo, 15 de fevereiro de 2009
Documentário Histórias
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
O melhor contador de histórias
E como nesse período estamos falando de histórias que nos marcam e dos que contam histórias, aí vai uma história muito boa...
ERA UMA VEZ.... um rei. Não era um rei feliz. Ele notou que seus súditos não prestavam atenção a menor atenção em seus decretos e mandatos. Percebeu também que eles se aglomeravam e se sentavam aos pés dos contadores de histórias na praça do mercado, nas casas de chá ou nas pousadas.
O rei decidiu aprender o segredo dos contadores de histórias. Convidou-os ao palácio com essa finalidade. Alguns disseram que era a sua linguagem, outros que era a experiência, outros, ainda, que era a imaginação.
Cansado de ouvir tantas opiniões, o rei despediu-se deles pedindo que se dedicassem a escrever artigos sobre as qualidades de um bom contador de histórias.
Os contadores voltaram após cinco anos com milhares de papéis escritos. Mas, de novo, o rei ordenou que voltassem com uma informação condensada de tudo aquilo. Cinco anos se passaram quando voltaram trazendo um livro bastante pesado. O rei não tinha tempo para ler, pois estava muito ocupado com as questões políticas do reino. Pediu-lhes, então, que fizessem um resumo de uma página com o essencial daquelas informações.
Os contadores passaram mais cinco anos trabalhando na essência do assunto. Finalmente, apareceram com uma folha de papel e entregaram-na ao rei.
O rei pensava que, de posse desse conhecimento, poderia tornar-se o único contador do reino. Aqueles eram seus rivais, obviamente. Mesmo tendo trazido seu precioso conhecimento sobre como se tornar o melhor contador, ainda assim eles seriam competidores, e o rei queria ser o melhor deles. Inevitavelmente, se o rei se livrasse de todos eles, não haveria como não se tornar o único e o melhor contador do reino.
Assim, o rei anunciou que iria agradecer pessoalmente a um por um o trabalho. Afinal, anos de dedicação haviam tornado possível aquele projeto.
Assim foi feito: ele recebia cada um, oferecia-lhe um premio e apontava a porta de saída. Do outro lado, porém, encontrava-se o carrasco esperando para executar o pobre infeliz, mandando-o para o outro mundo.
Depois que o rei finalmente ficou sozinho, com suas mãos tremulas, abriu o papel preparado para ele. Lá estava escrita somente uma frase:
“ O melhor contador de histórias é aquele cujas histórias são lembradas muitos e muitos anos depois que seu próprio nome tenha sido esquecido.”
E vocês, lembram de alguma história dessas inesquecíveis?
Fonte: Matos, Gislaine e Sorsy, Inno.O ofício do contador de histórias: perguntas e respostas, exercícios práticos e um repertório para encantar. São Paulo: Martins Fontes, 2005.
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
E lá vem uma história...
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
Histórias da infância distante por Gilka Girardello
terça-feira, 27 de janeiro de 2009
Ficção e realidade se [con]fundem por Silvia Beatrix Tkotz
Essa mania que peguei de ficar registrando as conversas que tenho com alguns amigos pode acabar me comprometendo... Mas, ciente de como as pessoas têm um interesse natural – ou seria cultural? – em ouvir conversa dos outros, acabo apostando que esta é uma boa maneira em arregimentar leitores para meus escritos. Foi escrevendo conversas que redigi parte de minha dissertação de mestrado. Ficou curiosa? Curioso? Digite “www.proped.pro.br”, e abrirá o “Programa de Pós” da UERJ. Clique em dissertação. Por fim, digite TKOTZ, em autor. Boa leitura!!! E, depois, se puder enviar uma crítica, um comentário e/ou preferencialmente um elogio... Brincadeiras a parte, essa é uma conversa que me interessa. E, para não perder o costume, vou contar para você uma dessas conversas que venho travando com alguns amigos. Quem sabe você não conhece alguns deles e acaba se animando em participar? Pois foi outro dia... Jorge estava a defender a força das palavras como elementos criadores da realidade: – A aventura que nos conduz à consciência de que o eu não é senão uma contínua criação, uma permanente metamorfose (...) tem sua força impulsora no processo narrativo e interpretativo da leitura e da escrita (...) já não existe um ser substancial a ser descoberto e ao qual ser fiel, mas apenas um conjunto de palavras para compor, e decompor e recompor. (...) A fidelidade às palavras é não deixar que as palavras se solidifiquem e nos solidifiquem, é manter aberto o espaço líquido da metamorfose (...) Só assim se pode escapar, ainda que seja por um momento, aos textos que nos modelam, ao perigo das palavras que, ainda que sejam verdadeiras, convertem-se em falsas uma vez que nos contentamos com elas (Larrosa, 2003:39-40). Extasiada, comentei: – Por isso é tão forte a escolha das palavras, pois, assim como as palavras criam a realidade, elas criam, também, a ficção. E a beleza da ficção é ver realidade nas palavras. No caso de “Ternura e dor: a história de um colégio aionista”, no entanto, esforço-me por engendrar ficção nas palavras, ao idear literaturizar o conhecimento em minha dissertação de mestrado. Jorge continuou, provocando-me, e Clarice, como o tema caminhou para a literatura, veio embelezar a discussão: – Como evitar, então, a suspeita de que a crescente profusão de palavras e de nossas histórias não tem como correlato o engrandecimento de nosso desassossego (Larrosa, 2003:23)? – Cada coisa é uma palavra. E quando não se a tem, inventa-se-a (Lispector ,1998:17). Nossa conversa foi tão profunda que personagens inesperados vieram contribuir. Já ouviu falar de frei Guilherme de Baskerville? Pois, disse ele: – Talvez a tarefa de quem ama os homens seja fazer rir da verdade, fazer rir a verdade, porque a única verdade é aprendermos a nos libertar da paixão insana pela verdade (Eco,1983:552). E Adson de Melk , outro personagem, entrou com uma forte colocação: -[A verdade] outra coisa não é senão a adequação entre a coisa e o intelecto (id.:351). Esquentando, frei Guilherme continuou: - Diante de um livro não devemos nos perguntar o que diz, mas o que quis dizer (id.:361). Jorge não se conteve e voltou à conversa, interessado em provocar você e fazê-la não resistir em se colocar. – O misterioso expressado poeticamente, ao conservar seu mistério, conserva-se como uma fonte infinita de sentido (Larrosa, 2003:75). Agora, preciso ouvir você! Indispensáveis são as suas palavras. Antes, deixo apenas mais informações sobre os amigos que participaram desta conversa. Pode ser que venha a desejar ter uma prosa mais aprofundada... ECO, U. O Nome da Rosa. Tradução de Aurora Bernardini e Homero Freitas de Andrade. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1983. LARROSA, J. Pedagogia Profana: danças, piruetas e mascaradas, tradução de Alfredo Veiga-Neto. Belo Horizonte: Autêntica, 2003. LISPECTOR, C. A hora da estrela. Rio de Janeiro: Rocco, 1998. Silvia Tkotz é professora da Universidade Estácio de Sá e vem acompanhando atentamente as discussões do grupo, sempre trocando idéias aqui no BLOG, sendo convidada para compartilhar com todos um pouco da sua produção.
Autores do BLOG
Onde você mais lê?
- Proposta do BLOG
- Neste espaço colocamos as discussões e reflexões feitas a partir dos encontros do grupo de pesquisa com coordenação da prof Sandra La Cava e Adriana Hoffmann Fernandes. Em algumas postagens teremos convidados especiais: escritores, professores e pesquisadores que têm muito a falar sobre o tema em estudo.
