terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

O melhor contador de histórias

E como nesse período estamos falando de histórias que nos marcam e dos que contam histórias, aí vai uma história muito boa...

ERA UMA VEZ.... um rei. Não era um rei feliz. Ele notou que seus súditos não prestavam atenção a menor atenção em seus decretos e mandatos. Percebeu também que eles se aglomeravam e se sentavam aos pés dos contadores de histórias na praça do mercado, nas casas de chá ou nas pousadas.

O rei decidiu aprender o segredo dos contadores de histórias. Convidou-os ao palácio com essa finalidade. Alguns disseram que era a sua linguagem, outros que era a experiência, outros, ainda, que era a imaginação.

Cansado de ouvir tantas opiniões, o rei despediu-se deles pedindo que se dedicassem a escrever artigos sobre as qualidades de um bom contador de histórias.

Os contadores voltaram após cinco anos com milhares de papéis escritos. Mas, de novo, o rei ordenou que voltassem com uma informação condensada de tudo aquilo. Cinco anos se passaram quando voltaram trazendo um livro bastante pesado. O rei não tinha tempo para ler, pois estava muito ocupado com as questões políticas do reino. Pediu-lhes, então, que fizessem um resumo de uma página com o essencial daquelas informações.

Os contadores passaram mais cinco anos trabalhando na essência do assunto. Finalmente, apareceram com uma folha de papel e entregaram-na ao rei.

O rei pensava que, de posse desse conhecimento, poderia tornar-se o único contador do reino. Aqueles eram seus rivais, obviamente. Mesmo tendo trazido seu precioso conhecimento sobre como se tornar o melhor contador, ainda assim eles seriam competidores, e o rei queria ser o melhor deles. Inevitavelmente, se o rei se livrasse de todos eles, não haveria como não se tornar o único e o melhor contador do reino.

Assim, o rei anunciou que iria agradecer pessoalmente a um por um o trabalho. Afinal, anos de dedicação haviam tornado possível aquele projeto.

Assim foi feito: ele recebia cada um, oferecia-lhe um premio e apontava a porta de saída. Do outro lado, porém, encontrava-se o carrasco esperando para executar o pobre infeliz, mandando-o para o outro mundo.

Depois que o rei finalmente ficou sozinho, com suas mãos tremulas, abriu o papel preparado para ele. Lá estava escrita somente uma frase:

“ O melhor contador de histórias é aquele cujas histórias são lembradas muitos e muitos anos depois que seu próprio nome tenha sido esquecido.”

E vocês, lembram de alguma história dessas inesquecíveis?

Fonte: Matos, Gislaine e Sorsy, Inno.O ofício do contador de histórias: perguntas e respostas, exercícios práticos e um repertório para encantar. São Paulo: Martins Fontes, 2005.

9 comentários:

Silvia disse...

E essa velha mania da universidade de nos fazer "guardar" as referências bibliográficas daquilo que lemos!!!
Quantas vezes nos lembramos de algo muito, muito bom, mas sequer sabemos de onde vem esta lembrança?
Qual é o autor? De quem é este texto? Perguntinhas importantes?

Adri disse...

Oi Silvia!
Isso é verdade! Quando as coisas ditas ou contadas são importantes nunca esquecemos delas mesmo que esqueçamos quem disse...
Beijos,
Adriana

Silvia disse...

Oi, Adriana!
Tentei fazer uma provocação, para que os defensores das citações diretas e indiretas pudessem se manifestar...

Sandra La Cava disse...

O papel das histórias é este mesmo: encantar sem aprisionar...Elas são soltas porque nasceram da liberdade de expressão, da naturalidade diante da emoção. Por que se aprisionar história a quem a criou? Ela é dona de si mesma, dona do momento, dona da gente que a compreende e a re-conta.

Adri disse...

Isso é mesmo, Sandra!!
Que nós, professores, possamos ser como esses contadores...
Beijos,
Adriana

Giancarlo Kind Schmid disse...

Sensacional a história e bem sugestiva. Retrata bem a realidade e mundo em que vivemos.
Estou de acordo com a Sílvia: qual a fonte/autor do texto?
Beijos!

Giancarlo Kind Schmid disse...

Ah! Agora vi a fonte... valeu!
Beijos!

Adri disse...

Uma boa história torna-se classica ao atravessar os tempos, ao falar para um público diverso que se reconhece nela e a reconta tornando-a atual. Bom ver que você reconheceu isso nessa história, Gian!
Muito bom ver sua presença cosntante por aqui!!

Rosane disse...

Olá, Sílvia! Adorei a história!!! Já vou usá-la hoje à noite, com meus pequenos e sempre com todos que estiverem dispostos a me ouvir em conversas, aulas, palestras, etc. Gostaria de adiquirir o livro. Assisti a uma palestra excelente da autora, mas não encontrei o livro em nenhuma livraria daqui de Salvador. Beijos agradecidos!!!