quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Leitura de texto e leitura de imagem

Compartilhamos aqui textos e também vídeos e imagens como parte de nossa leitura formadora. Trazemos nesse momento o texto da autora, escritora e ilustradora de livros para crianças e jovens, refletindo sobre esses contextos de leitura. Vejam o que ela pensa, leiam e opinem!!
Eva Furnari
Costumamos usar a palavra leitura significando leitura de texto. Uma leitura que requer decifrar signos, letras, sinais convencionados, que nos remetem ao universo da linguagem oral. Ler um texto é ler o registro de nossa comunicação verbal, no qual as palavras contam os significados.
Essa é uma maneira de ler o mundo. Uma maneira importante, que traz informação, troca, que alarga horizontes e permite a constante ampliação dos níveis de conciência humana.
Podemos, também, usar a palavra leitura em um sentido menos comum, significando leitura visual. Essa é uma outra maneira de ler o mundo, não decifrando letras, mas decifrando imagens. Imagens que preenchem nossos olhos do momento em que acordamos até a hora de dormir. São paisagens da cidade, do campo, das ruas, das casas, por dentro, por fora, dos outdoors, dos livros, revistas, TVs. Paisagens cheias de objetos e sujeitos.
Com o olhar, a gente pode, por exemplo, ler um objeto que esteja na paisagem, digamos, um carro. Ao vê-lo, sabemos se é antigo, moderno, esporte ou clássico, se nos agrada ou não e assim por diante.
A gente também pode ler e decifrar um sujeito passando na rua. Digamos que, só de olhar, a gente vê se é jovem, velho, pobre, rico e pode até perceber seu estado de humor; deprimido, emburrado, bem disposto, de bem com a vida. Lemos sujeitos o dia todo, a todo momento. Quem é que, ao se relacionar com uma pessoa, não envia e recebe mensagens para serem entendidas pelos olhos? São caras e bocas sem legenda, que vão fazendo pedidos, convites, dando comandos, fazendo intimações e outras coisas assim. Isso é ler imagem. Essa leitura visual do mundo nos é tão íntima e familiar, que muitas vezes não nos damos conta do quanto ela é presente em nossa vida.
Captamos uma quantidade enorme de informações por essa via, muito maior do que costumamos supor. É todo um sistema de comunicação que se processa pela imagem, e que é, em parte, inconsciente e, é interessante notar que, mesmo sendo inconsciente, somos capazes de usá-lo com perícia.
É como se houvesse uma leitura silenciosa, às vezes vaga, outras vezes precisa, feita não por nosso lado racional, mas por nossas sensações e emoções.
Lembrete: esse texto não acabou... Continuem lendo o restante do texto no link abaixo.
Fonte: http://www.tvebrasil.com.br/salto/boletins2002/lii/liitxt4.htm Acesso em outubro de 2008

6 comentários:

Célia Ribeiro disse...

Oi Adriana.
A leitura do texto de Eva Funari me fez pensar na seguinte questão: que existem diversas narrativas possíveis em uma imagem dependendo de quem as lê, diferentemente da narrativa oral ou escrita onde o seu autor está presente, sempre, na leitura de outros. O que vocês acham, será que isso mesmo?
Célia

Adri disse...

É... O texto foi mesmo para nos fazer pensar... Costumamos achar que a imagem possibilita mais leituras do que a escrita. Será? Da mersma forma se diz que a imagem é lida pela emoção, sensações... E a escrita também não? Parece-me que por termos que aprender a ler, essa leitura torna-se, para muitos, mais restrita do que a imagem. Mas será que todos conseguem ler as imagens? Será que a leitura delas também não demanda aprendizagens?
Está aberto o debate...

Fabiana de Amorim disse...

Sou eu a fabiana, com esta moda do livro "crepusculo" na qual me incluo, vejo que a autora do livro se baseia na narativa cinematografica para construir seus livros, para o bem o para o mal, baixei os livros na net, no site http://www.portaldetonando.com.br/forum
(pois ainda são muito carosO) e comprei o pirata é quem tiver a opurtindade compare o modo de dissertação do primeiro livro com o filme, os cortes de cena a lingugem, vem de uma cultura na qual a linguagem das imagnes se poe na forma como autores de sucesso redigem seus textos levando milhoes de jovens a lerem um livro de 300 paginas e assistirem o filme, como se o filme fosse o livro e vice e versa.

bj, fabi

Giancarlo Kind Schmid disse...

Oi Adriana,
Como diz a frase: "uma imagem vale mais do que mil palavras" expressa exatamente o contexto. O texto permite um tipo de envolvimento com a narrativa; mas a imagem sugere outros aspectos, aqueles em que o texto deixa a encargo da imaginação. Se a imagem possuir teor simbólico, então mais significativa se torna seu papel. Cada imagem tem um impacto especial sobre nós, individualmente. O texto demanda intelectualização maior e a imagem, sentimento e intuição.
Abraços!

Adriana Hoffmann disse...

Fabiana!!
Muito bom aparecer por aqui... Saudades! Acho que você captou bem a proposta do debate que fiz.È isso mesmo! Já não é de hoje que em outros contextos temos essas discussões. A imagem também tem uma linguagem que precisa ser aprendida para ser entendida em sua estrutura. A linguagem cinematográfica têm caracteristicas totalmente diferentes da linguagem literária... Usualmente se pensa que para entender literatura mais a fundo tem-se que entender como ela é feita, os processos e estilos literários mas não é preciso entender a linguagem do cinema para entender os filmes mais a fundo. Tal idéia pressupõe sempre a idéia de que ler pressupõe mais do que ver. No entanto, sabemos que ao vermos um filme com olhos de quem lê literatura precisamos buscar mais referências para entendê-lo... Sempre nos falta algo. Falta o entendimento da construção da linguagem que amplia nossas possibilidades de olhar. Hoje ainda tem-se os que escrevem como quem filma como você citou, Fabiana... Muito para caminharmos...
Beijos e até a próxima! Apareça sempre, viu?
Adriana

Adriana Hoffmann disse...

Oi Gian,
Sua presença constante aqui nos debates me deixa feliz! È sempre bom ouvir sua opinião... Não diria que concordo contigo nesse ponto mas o propósito do debate não é para concordarmos, né? A troca de idéias se enriquece assim... nas diferenças.
Acho que a imagem tem esse teor simbólico de que você fala mas se pensarmos na discussão que fizemos com o comentário anterior da Fabiana podemos dizer que ela demanda sentimento, intuição mas intelectualização também. Afinal, se pensarmos na imagem audiovisual dos filmes (não hollywoodianos, claro...)ou de uma imagem estática de uma obra de arte, quanto elas não nos exigem para que possamos entendê-las mais a fundo?