sexta-feira, 6 de março de 2009

A memória segundo o mito

A partir das discussões anteriores temos agora a contribuição de Gian que traz informações interessantes a respeito do mito e escolhe falar em especial sobre o mito que se refere à memória, um aspecto que também faz parte de nossas leituras e discussões no PIC.

Devido à nossa proximidade cultural com as antigas culturas grega e romana, escolhi trazer para o blog a apresentação do mito de Mnemosyne ou Mnemósine (a memória personificada). Trago para esse texto a apresentação da pesquisa “O Lugar Mítico da Memória” realizada pela professora da UNIRIO Cláudia Cerqueira do Rosário.Claudia Cerqueira (2002) afirma que segundo a Teogonia (conjunto de deuses que formam a mitologia de um povo) de Hesíodo, Mnemósine é filha de Urano (Céu) e Gaia (Terra) sendo que essa deusa habitava a Piéria, região da Macedônia. Seu nome, segundo a autora, é oriundo da palavra grega mimnéskein, que significa “lembrar-se de”.

Mas, segundo a pesquisa de Rosário, o mito nos diz mais. Ele nos diz que um dos Titãs, Cronos, depois de destronar o pai despótico e instaurar um governo ainda mais despótico, é por sua vez destronado por seu filho Zeus num terrível combate. Para celebrar, Zeus une-se durante nove noites consecutivas à Mnemosyne, e desta união nascem nove filhas, as cantoras divinas que tinham por função primeira presidir as diversas formas do pensamento: sabedoria, eloqüência, persuasão, história, matemática, astronomia. São as nove Musas e a palavra grega que as designa, como assinala Junito Brandão (apud Rosário, 2002), talvez se relacione a um termo que significaria "fixar o espírito sobre uma idéia, uma arte".

Como assinala Torrano (apud Rosário, 2002):

É o dom de Mnemósine: conduzindo o côro das Musas, confundindo-se mesmo com elas, que preside a função poética. A Grécia arcaica da mesma forma que diviniza a função psicológica da Memória, diviniza a possibilidade de suas funções: a poesia é uma espécie de possessão pelas Musas, de delírio divino que toma o poeta e o transforma no intérprete de Mnemósine, daquela que tudo sabe, e como nos canta Hesíodo "inspiraram-me um canto divino para que eu gloreie o futuro e o passado.

É através da audição deste canto que o homem comum podia romper os estreitos limites de suas possibilidades físicas de movimento e visão, transcender suas fronteiras geográficas e temporais, que de outro modo permaneceriam infranqueáveis, e entrar em contato e contemplar figuras, fatos e mundos que pelo poder do canto se tornam audíveis, visíveis e presentes. O poeta, portanto, tem na palavra cantada o poder de ultrapassar e superar todos os bloqueios e distâncias espaciais e temporais, um poder que lhe é conferido pela Memória (Mnemosine) através das palavras cantadas (Musas).

E como a memória afeta vocês? O que mais chama a atenção à sua memória? Que coisas ficam mais tempo guardadas em sua lembrança?

Giancarlo Kind Smith

Fontes:

ROSARIO, Claudia Cerqueira do. O lugar mítico da memória. Morpheus - Revista Eletrônica em Ciências Humanas - Ano 01, número 01, 200. Disponível em http://www.unirio.br/morpheusonline/Numero01-2000/claudiarosario.htm

Referências trazidas pela autora do estudo apresentado:

HESÍODO. Teogonia, A Origem dos Deuses. Estudo e tradução de Jaa Torrano, São Paulo: Iluminuras, 1992.

BRANDÃO, Junito. Mitologia Grega. vol. I, Petrópolis: Ed. Vozes, 1994, p.202-3.

TORRANO, Jaa. O Sentido de Zeus, São Paulo: Iluminuras, 1996, p. 25.

quarta-feira, 4 de março de 2009

O que é um mito?

A partir do mito de Orfeu que apresentamos brevemente em postagem anterior trazemos agora uma discussão sobre o que é um mito. Os mitos fazem parte das muitas narrativas que ouvimos desde a infância mas que nem sempre reconhecemos como mitológicas. Eles têm sua origem na Grécia e falam muito de nossas vidas.
Victor D. Salis (on-line) fala do mito como sabedoria da arte de viver e amar. Segundo este autor os mitos falam de coisas que nos dizem respeito e parecem responder a tantas perguntas que temos sobre o mistério de existir. Muitas vezes não parece que quando conhecemos um mito, “já o sabíamos sem saber”? O mito, como ressalta Victor, soa-nos tão familiar e, principalmente, toca o coração – se, de acordo com o autor, nosso realismo permitir e não exigir que o descartemos como bobagem ou simples mentira (afinal, mito é seu sinônimo).
Segundo Danilo Marcondes (2002) o pensamento mítico consiste na forma pela qual um povo explica a origem do mundo, o funcionamento da natureza e dos processos naturais e as origens deste povo, bem como seus valores básicos. O mito caracteriza-se, sobretudo pelo modo como estas explicações são dadas. Assim, o próprio termo grego mythos significa um tipo bastante especial de discurso, o discurso fictício ou imaginário.
Sendo parte de uma tradição cultural, Marcondes lembra que o mito configura assim a própria visão de mundo dos indivíduos, a sua maneira mesmo de vivenciar uma determinada realidade. Por isso tudo, o pensamento mítico pressupõe a adesão, a aceitação dos indivíduos, na medida em que constitui a sua experiência de entendimento de mundo. O mito não se justifica, não se fundamenta, portanto, nem se presta ao questionamento, à crítica ou à correção. Não há discussão do mito porque ele constitui a própria visão de mundo dos indivíduos pertencentes a uma determinada sociedade numa época tendo, portanto, um caráter global.
Um dos elementos centrais do pensamento mítico e de sua forma de explicar a realidade é esse apelo ao sobrenatural, ao mistério, ao sagrado, à magia. Nos mitos, as causas dos fenômenos naturais e do que acontece aos homens são governadas por uma realidade exterior ao mundo humano e natural: algo superior, misterioso, divino, que somente os sacerdotes, os magos, os iniciados, são capazes de interpretar.
Quem quiser buscar mais para discutir sobre o assunto entre no site Universidade falada e ouça o trecho falado do autor do áudio-livro “ABC da mitologia uma noite com os mitos” de Viktor D. Salis.
Outra dica também é o blog do Laboratório de Filosofia da UFMG que traz vários materiais interessantes inclusive com resumos de vários mitos como Pandora, Eros e Psique, entre outros.
O que esta reflexão os fez pensar? Porque tratar desse tema em nosso projeto de Pesquisa?
Adriana Hoffmann
Referências
Livros:
MARCONDES, Danilo. Iniciação à História de Filosofia: dos Pré-socráticos a Wittgensteisn. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2002.
Sites:
http://www.universidadefalada.com.br
http://www.fafich.ufmg.br

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Sobre a história de Orfeu...

Trazemos aqui um pouco mais sobre a história de Orfeu, filme que trouxemos um trecho do filme de Marcel Camus em postagem anterior. Para essa postagem feita a várias mãos contamos com várias contribuições.
Orfeu, um excelente músico, amava Eurídice. O cantador e poeta Orfeu perde sua amada Eurídice e vai buscá-la no mundo dos mortos (Hades), contrariando todas as leis divinas. Nenhum vivo poderia entrar no mundo dos mortos! Mas, Orfeu inspirado pelo amor, toca sua lira que encanta a todos, mas jamais esquece Eurídice. O guardião do portão de Hades, encantado com sua música, dorme com a música de Orfeu. A mais bonita de todas as canções, Orfeu cantou para Hades, que o convenceu a deixar Orfeu levar Eurídice de volta. Para Orfeu sair do mundo dos mortos levando sua amada, Hades, porém, impôs uma condição: que Orfeu não olhasse para trás. O que vocês imaginam que aconteceu?
As autoras Thaïs Flores Nogueira Diniz e Karyna Gonzaga, em publicação quando eram pesquisadoras da Universidade Federal De Ouro Preto, trazem mais informações para complementar essa história. Comentam que Orfeu tocava a lira com tanta perfeição que os animais ferozes e os pássaros se agrupavam em torno dele, enquanto seus acordes atraíam árvores e rochedos e suspendiam o curso dos rios. Orfeu casou-se com Eurídice e ambos se amavam. Com sua morte Orfeu torna-se inconsolável. Algum tempo depois, resolve arrancá-la da morte e se dirige ao inferno. Por causa da magia de sua lira, Cérbero o cão de guarda do inferno se cala e as Fúrias recolhem as serpentes com que atormentavam os criminosos. Todos se deixam comover e estabelecesse uma condição: libertaria Eurídice do reino dos mortos, porém Orfeu, que a conduziria, não poderia voltar a cabeça para olhá-la. O esposo inicia sua jornada para o reino dos vivos, com a sombra de Eurídice a segui-lo. As trevas já começavam a se dissipar quando Orfeu, esquecido do que lhe fora imposto, volta-se. Nesse momento, o infeliz perde sua amada para sempre. As Musas sepultaram os despojos de Orfeu ao pé do Monte Olimpo e sua lira, transportada aos céus, transformou-se numa constelação.
Autores: Adriana Hoffmann, Giancarlo e Silvia Kotz.
Fonte: Diniz, Thaïs Flores Nogueira e Gonzaga, Karyna. Orfeu do Carnaval ou Brasil do Carnaval? Disponível em http://www.thais-flores.pro.br/artigos Acesso em fevereiro de 2008

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Orfeu - uma história de Carnaval...

Trazemos nesse vídeo a história de Orfeu Negro - parte 1
O filme de 1959 do diretor Marcel Camus transporta para a favela o mito grego de Orfeu e Eurídice com base na peça de Vinicius de Moraes "Orfeu da Conceição".
O que este trecho os fez pensar? Vocês sabem de que trata o mito de Orfeu? A que se refere? Em breve traremos mais detalhes se vocês, leitores, assim desejarem.

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Já é Carnaval... música também é leitura...

As músicas também contam histórias, provocam leituras, trazem lembranças... Quem não tem uma boa música relacionada a situações da vida?? Para esse período de festas trazemos uma música "Folião pra danar" de Marcelo Torca dentro do Festival de Músicas de Carnaval... Entrem no link abaixo e ouçam.
http://www.marcelotorca.com/audio.php?cod=18991
Que músicas lembram boas situações vividas no Carnaval? Tragam as suas músicas favoritas! Comentem!

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Leitura de texto e leitura de imagem

Compartilhamos aqui textos e também vídeos e imagens como parte de nossa leitura formadora. Trazemos nesse momento o texto da autora, escritora e ilustradora de livros para crianças e jovens, refletindo sobre esses contextos de leitura. Vejam o que ela pensa, leiam e opinem!!
Eva Furnari
Costumamos usar a palavra leitura significando leitura de texto. Uma leitura que requer decifrar signos, letras, sinais convencionados, que nos remetem ao universo da linguagem oral. Ler um texto é ler o registro de nossa comunicação verbal, no qual as palavras contam os significados.
Essa é uma maneira de ler o mundo. Uma maneira importante, que traz informação, troca, que alarga horizontes e permite a constante ampliação dos níveis de conciência humana.
Podemos, também, usar a palavra leitura em um sentido menos comum, significando leitura visual. Essa é uma outra maneira de ler o mundo, não decifrando letras, mas decifrando imagens. Imagens que preenchem nossos olhos do momento em que acordamos até a hora de dormir. São paisagens da cidade, do campo, das ruas, das casas, por dentro, por fora, dos outdoors, dos livros, revistas, TVs. Paisagens cheias de objetos e sujeitos.
Com o olhar, a gente pode, por exemplo, ler um objeto que esteja na paisagem, digamos, um carro. Ao vê-lo, sabemos se é antigo, moderno, esporte ou clássico, se nos agrada ou não e assim por diante.
A gente também pode ler e decifrar um sujeito passando na rua. Digamos que, só de olhar, a gente vê se é jovem, velho, pobre, rico e pode até perceber seu estado de humor; deprimido, emburrado, bem disposto, de bem com a vida. Lemos sujeitos o dia todo, a todo momento. Quem é que, ao se relacionar com uma pessoa, não envia e recebe mensagens para serem entendidas pelos olhos? São caras e bocas sem legenda, que vão fazendo pedidos, convites, dando comandos, fazendo intimações e outras coisas assim. Isso é ler imagem. Essa leitura visual do mundo nos é tão íntima e familiar, que muitas vezes não nos damos conta do quanto ela é presente em nossa vida.
Captamos uma quantidade enorme de informações por essa via, muito maior do que costumamos supor. É todo um sistema de comunicação que se processa pela imagem, e que é, em parte, inconsciente e, é interessante notar que, mesmo sendo inconsciente, somos capazes de usá-lo com perícia.
É como se houvesse uma leitura silenciosa, às vezes vaga, outras vezes precisa, feita não por nosso lado racional, mas por nossas sensações e emoções.
Lembrete: esse texto não acabou... Continuem lendo o restante do texto no link abaixo.
Fonte: http://www.tvebrasil.com.br/salto/boletins2002/lii/liitxt4.htm Acesso em outubro de 2008